o fio passa pela ferida atando um lado ao outro, o fio de coser palavras, mirar espelhos, de bordar as dobras, de enrugar paisagens. se segue uma trilha, amarra a outra. — não tem jeito! parece trem de partida, talvez pudesse ser de chegada, mas é trem que retorna fidedigno. — este fio é como trilho de linha férrea! eu de cá, sob meu ponto de vista... me abro para deslisar meus cabelos sobre o colo dando nova rota, novo destino, nova poesia, nova canção. até mesmo novo abraço sobre o peito aberto que me recebe. este fio traça nova linha no meu olho, desfigura a curvatura das maçãs de meu rosto aumentando a covinha lateral quando rio de emoção. ou se eu chorar... talvez. nós nunca sabemos até onde foi o rasgo, até abrir o tecido. se vai precisar de mais linha, se vai dar mais corda, trilhos ou dormentes. — e se sobrar ausências? — e se a gente for meio que moldura fresca em mãos de artesão? é meio que crer em ponto cego, contar apenas com o reflexo, ou com o dedo que ...
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