um oceano no corpo
. sabe mar, não sei dessa lacuna? apesar das margens que sei de ti [tão pouco salivo incessante teu gosto enquanto transpiro teu blues ainda que me sinta nascente andina num longo percurso ao discorrer, teu poema de sal, de mel, de foz onde eu escorro, rio e cruel, retira uma por uma as escamas de minha face e se vê *** estou ao rés, nua ao céu onde deliro, a dançar movediça sob teu corpo cru abaixo à linha do Equador neste dique que me limita a te ver paisagem enquanto me mareia por dentro ondulações azul impossível azul impregnado na minha carne *** e é por muito conter o marulho de teus dedos no meu íntimo de ostra que ficaste em mim tão sal e, tão onda, tão piercing na língua logo após te beber Rosa Ilustração: Agnes Cecile - wave upon wave