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Guardar, Amor

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  segurar entre as mãos a brasa  e não gritar  sentir o apreço, seu valor manter viva a imagem acesa sem tocar  tentar o sopro inútil  que nada apaga e acende mais sustentar o nome do desejo na memória na boca  assim, como guardamos o amor : esse pássaro  que nos deixa uma pena, quando vai; essa flor  de única pétala, indelével que não sabe morrer e ressequida se protege nas páginas  entre frases quaisquer  Rosa Cena do filme Morra, amor

Das impossibilidades

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  meu amor se fez fogo em erupções  não sem antes se fazer das águas  em gotejos sobre mares  e afogamentos em rios  da impossibilidade do tempo  meu amor riscou linhas convergentes na matéria sólida de uma mesa de jatobá e fez concreto  em uma ponte já rompida da qual sem medo, se lançou  do vento meu amor se fez sopro para desfazer dunas  e a fuligem que pairava no ar - aquele sopro de aquecer... - uma vez ele se vestiu de sombra  o corpo inteiro de meu amor oscilava entre o breu e a luz prata para dizer dos perigos de  se saber demais toda vez que baixamos as vistas  era então meu amor lunar  do amor meu amor nunca disse nada além dos amores perdidos sobre colinas e o tule sobre o vidro  onde o amor não era convidado a entrar  mas ornamentava o jardim  - tá vendo lá... aquela flor? ao lado da Costela-de-adão! - meu amor sabe das coisas impossíveis  mas nunca viu o possível  lhe sorrir ... e lhe ...

Aprendizagem do Eu

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  a dizer das incertezas, apalpo o impossível caótico e me demoro nele. a ver, em meu mergulho uma ponte submersa, inútil em minha condição humana - ainda assim há ponte - dizem, ato falho. talvez seja, para que me salve de mim. a mesma se lança ao céu e me convida. mas para prosseguir necessários seriam os elos conectados, a via nítida e até respirável. o favorável no cruzamento, o encontro, você que amo, sem que te leve a escolher mal por manipulação de quem mal fala e fala apenas o que já se disse em inumeráveis bocas... numa tentativa de me adequar ou quase. quebro a palavra que me de/genera, estou vazia dela e por estar vazia, me perco nos hiatos. eles são halos, ralos de depuração... ora, que dizer agora? a questão não é dizer, é ir... e para onde vou? esperar também é seguir? seguir na espera? devo, para passar o tempo, juntar as palavras e comê-las... cuspir depois? e já não é o que faço? decidi... não vou esperar, vou sair às ruas, esquentar meu sangue, me irritar no trâns...

lá vai poema!

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riscar um manisfesto sobre barreiras em muros, cercas e outdoors no teto de amianto escrever o céu colher a chuva a prata da lua ...raios dourados de sol riscar um nome numa canoa vagarosa sobre a lagoa a se chamar poema e traçar nas águas ...poesia "lá vai poema!"  rosa a.

Primeiro Amor - Samuel Beckett - poema Spoiler

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Já disse isso quando li Zorba o Grego... Gosto quando o livro começa duro, sem preliminares, direto ao Capítulo Um. Mas Primeiro Amor, é como o primeiro amor da gente, a coisa rapidinha, e por ser uma rapidinha, é um único bloco de pensamentos, nem dá para se dizer que há um capítulo. É mais duro que Níkos Kazantzákis ao nos trazer Zorba. Ainda não terminei embora seja uma rapidinha, hoje o dia segue lento... estou com sono. Spoiler começa duro como a morte e como os homens e segue... termina breve noutro impacto com tal data marcante a morte são os gemidos de sexo de dor de nascimento uma vida de gemidos o eco termina sonoro um grito e um silêncio

O indizível

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  onde dor e afeto  se misturam  como encontro de salivas que distantes recapitulam  o ato — não te dói?  no ardor da tua pele me perdi de minhas diretrizes  a rota era simples beber até me saciar de teu sexo sentir teu peito palpitar de afeto mas, um corpo em chamas sofre ao frio não sou a mesma que negara o amor como uma rocha digo: aprendi com sua liberdade a me despir do que cria, real e potente; da avidez que combate e nua se entrega como a arte das palavras é dada solar à boca de tua prece  - e me transpassa a chispa - tu tens a liberdade e uma eternidade  para que o digas eu seguro as consequências, sou forte... — vê? não sei dizer nada  além do filete d'água  que escorre em meus lábios de desejo... e da emoção de te ler em cada linha tão real, e presença... tão você! - não há respostas aqui - estou aberta a qualquer atravessamento  quer seja de alegria ou indizível  pois que nada é tão fácil como percebe a criança lambu...

Martírio

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  me erra a língua bifurcada dos olhos esféricos da fera a rabiscar com tinta falha achaques em versos insossos a fera bruta farfalha no esquecimento não sofre de ranhura na lima escorregadia, não goza mas bem queria dentes cravados a lhe rasgar a carne até a vértebra de veneno peçonha... fosse mais esperta deslizaria a língua a me lamber entre as pernas mas, sofre de ausências e clama delirante amores que temerosos correm pelo descampado só lhe sobra calcanhares vacilantes de mulheres inocentes é de dar pena... mas serpentes não voam e não sabem o prazer de uivar em noites de lua cheia Rosa Do caderno: Mercúrio em Escorpião

o fim é sempre um recomeço

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não é sobre o clima árido do inverno não é sobre o clímax dado aos corpos cálidos estirados sobre o tatame em que lutamos e somos vencidos ou sobre os vãos nos tapumes de nossos versos talvez seja, a falta do timbre na voz de quando não sabemos compor o poema ou não entendemos a letra que pende o traço na margem há o anseio em agarra-la, antes que o abismo a trague no esquecimento creio, seja isso de querer significar o que por si, dispensa qualquer linguagem e diz, amor, pois que é amor o zelo... ao dizer de um nada, com certo afeto, apenas um fim, sem perdas nunca uma lâmina a dividir a vida incapaz de deflagrar uma bomba no peito, outro assim, o fim é sempre um recomeço (sem ponto final) um fim reticências... Rosa Fotos: "i_am_four-eyes" de Bangkok.  

presença

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"Enquanto isso o destino seguia nossos passos Como um louco de navalha na mão." Arseni Tarkovski essa palavra difícil de unir após o intrometer da distância palavra que em nada é ausência ausência, é esquecer mas estais em mim feito vapor, neblina, e amor é esta palavra que gesta espera, uma espera ansiosa que não finda... eu sei. nada espero além de fronteiras mas gestei quase mil filhos para você, por querer, e não sei onde está o amor... perdi! esqueci dentro da palavra segredo em nós, essa palavra, nó que não combina com amor este que tem asas e fica perdido dentro dos nós e não se sabe amor talvez nunca mais saiba talvez um nunca, foi e dizer dos filhos soa estranho eles esperam, antes o vôo com os bicos abertos os meios de viver e suster as penas para seguir quando só possuo poemas que despencam do céu de minha boca e os dou. e isso é dar pena, estou dando agora ao rabiscar... isso é amor? ou ele se perdeu entre algum significado? intraduzível poema Rosa  

quando cessa?

  Querer mais e mais do mesmo — até a última gota o intervalo... — contido no beijo. — da boca oca que não comporta. — ausência. — esse território... — muro! — parede, faixa. — que em nada é guerra, mas nuances de cores camufladas — a mesma boca que busca e sussurra entre batons lamúrias. — e toda as vogais contidas no hiato mais longo... reza palavra; rega palavra; rasga palavra. — entre versos nus de promessas e atos nulos. — colheita de tempestade na língua intraduzível de um poema — puro grito! e se arrebenta num mosto de saudade ao cantar em um idioma que não se sabe _amor, libido — é por sentir um querer mais, e mais do cheiro e do gosto — e temer mais que tudo o que não sustenta nas brechas do tédio mas que é necessário — essa lacuna do entre/acontecimento... — desejo. — quando cessa? Rosa Fragmentos do documentário Thorvaldsen - Dryer