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presença

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"Enquanto isso o destino seguia nossos passos Como um louco de navalha na mão." Arseni Tarkovski essa palavra difícil de unir após o intrometer da distância palavra que em nada é ausência ausência, é esquecer mas estais em mim feito vapor, neblina, e amor é esta palavra que gesta espera, uma espera ansiosa que não finda... eu sei. nada espero além de fronteiras mas gestei quase mil filhos para você, por querer, e não sei onde está o amor... perdi! esqueci dentro da palavra segredo em nós, essa palavra, nó que não combina com amor este que tem asas e fica perdido dentro dos nós e não se sabe amor talvez nunca mais saiba talvez um nunca, foi e dizer dos filhos soa estranho eles esperam, antes o vôo com os bicos abertos os meios de viver e suster as penas para seguir quando só possuo poemas que despencam do céu de minha boca e os dou. e isso é dar pena, estou dando agora ao rabiscar... isso é amor? ou ele se perdeu entre algum significado? intraduzível poema Rosa  

quando cessa?

  Querer mais e mais do mesmo — até a última gota o intervalo... — contido no beijo. — da boca oca que não comporta. — ausência. — esse território... — muro! — parede, faixa. — que em nada é guerra, mas nuances de cores camufladas — a mesma boca que busca e sussurra entre batons lamúrias. — e toda as vogais contidas no hiato mais longo... reza palavra; rega palavra; rasga palavra. — entre versos nus de promessas e atos nulos. — colheita de tempestade na língua intraduzível de um poema — puro grito! e se arrebenta num mosto de saudade ao cantar em um idioma que não se sabe _amor, libido — é por sentir um querer mais, e mais do cheiro e do gosto — e temer mais que tudo o que não sustenta nas brechas do tédio mas que é necessário — essa lacuna do entre/acontecimento... — desejo. — quando cessa? Rosa Fragmentos do documentário Thorvaldsen - Dryer

4/1

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4/1 * não precisa ser leve, amor peso pena, nem peso morto como escora a segurar o fluxo o peso muito equilibrado apenas nos impele a pesar mais no lado sombra aquele no qual temos medo basta deitar suave sobre meu espaço desestabilizado para não amassar as páginas cinzas da minha vida que você insiste cobrir com pasta térmica Made in China ** não precisa ter a pele da delicadeza, quero tatear com os dedos entre as ranhuras, tuas fendas cicatrizes e pigmentos que tanto decoro com o indicador sobre a tela não aprisione em garrafas o tempo, o que se foi ou aquilo que não se sabe se virá ou se está sendo e não percebes o corpo já é fronteiriço e cruel com tudo que chega e se desnorteia com o que vai ...mas mãos que o libertam com afeto são valiosas e raras importante não segurar caminhos agarrado ao meus pés e fios que assim você tropeça e me desligo máquina, sem gozo, um bug em tela branca só retorno após um boot, fria e você me sentiria estranha, faltante de algo que não sabe qual a rep...

um deserto nos teus olhos __de Mar

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— posso me sentar ao teu lado? me deixe ver teus olhos? ela delirante falava isso enquanto agarrava-o pelo queixo e apertava-lhe as bochechas — é que tem um deserto dentro deles e talvez você me mirando profundo eu possa encharcá-los aí talvez nasça neles um oasis e eu possa matar minha sede de você e você tua sede de mim quem sabe? quem sabe escoo desse delta, um afluente e a gente junto vira rio quem sabe __ mar? rosa a.

mais forte!

  muito mais forte que um potro selvagem a mão que aperta o pescoço onde bafeja por detrás palavras putas, profanas mais forte! a carne não perdoa a pele que penetra mundana, outra carne, a carne coisa... tem fome e é voraz e se ergue como a égua em prados e se rasga para sentir a eletricidade percorrer a crina o formigamento a penetração a enrijecer os músculos o tormento do amansar o tenso do semblante o pressionar, o relaxamento a suavidade das cavidades entre ósculos enternecidos dos amantes para na pequena morte eternizar, como inesquecível(...) ah, o abalo do tremor... que faz do corpo, espasmo o gozo! nada sentir para sentir-se mais potente o mais forte que a carne exige enfim sobre a pele última o pouso aterrissagem do corpo que forte! cansa, e adormece, e repousa sobre o exausto do 'meu corpo e não sei mais o caminho me perdi na relva de teus olhos enevoados guardados em um resquício de memória de quando me eram nítidos e dentro de minha carne me dedilhava foco cravado .....

me devolva a mágica

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  eu tinha um poema conquista ele era todo receptivo  instigante  cheio de ousadia um poema convite                              [aberto  e havia nele  certa vulnerabilidade  das missivas alguns tropeços de quem não se permite presença o poema voou  foi alto  um poema trilha nas montanhas  íngremes de uma página  em branco  e como dizem  o vôo antecede a queda ocorreu do poema ir longe demais... e ser deixado  solo em folhas craft um, poema  adaptado  ao nível dos mares... não houve queda literalmente  na verdade ele ex plo diu e se frag-men-tou  dando origem a vários  poemas inéditos e d.i.s.p.e.r.s.o.s. tento catá-los ao ar na inútil forma  de juntá-los  e me recompor os pedaços  Rosa  imagem: Anatoli

Olá estranho...

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  — como se faz o tocar? alguém sabe me dizer? não, não... me deixe tentar — os dedos giram no espaço  onde este se abre...                              《penso》 o corpo se volta movimento  talvez rodopie e alcance algo em seus músculos, mas é todo pele unhas, pelos  um tanto de apelo mesma matéria de terra que sente  a febre, a mordida o calor do perímetro  quando há presença no entorno tocar é quase sentir febre  quente que somos recarregáveis um ao outro  irrigados até às extremidades  pelo ferro e sódio de nossos sangues  as nossas margens  esfriam quando o coração bombeia forte                            《quase por defesa》 quando o corpo não acalenta o outro ou ainda não sabe, como fazê-lo — amor! emotivos que ficamos  quando ocorre o toque ser desejo lembro pouco, muito anseio n...

uma visão fronteiriça

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  "Um rosto aparece subitamente sobre o écran, parece fixar-me olhos nos olhos, e aumenta com extraordinária intensidade. Sinto-me hipnotizado"                                         Jean Epstein cortinas pesadas insistem o movimento  aos pares ao mínimo deslocamento  do ar rarefeito  nas alturas  não sei se é  uma dança não sei se é  um respiro ou a força da luz externa  que invade opaca, o escuro  não sei se o tempo a contar pelos dias — de certo seria não fosse o tempo estático para elas —  para mim posta ao batente  e mesmo quando a chuva deita e as umedecem o ritmo, é quase imperceptível  elas parecem querer  o vôo impossível — quando venta presas que estão  no mesmo lugar/qualquer  das coisas insuportavelmente  impossíveis  até puirem e romperem com as demarcações  do tempo com o roçar  n...

resto de mar

  as águas dançam com o entorno uma dança quase muda aos meus olhos um espetáculo  que espelha o mundo  e tudo pende  de um lado ao outro se distorce os cabelos cedem cedem os muros e também os rochedos a pele enrijece a língua sente o gosto  pois em nada é insípida a vida  ao salobro corpo doce, feito mel maturado  na pele de sal o mover  de toda sede a busca do mais e em desertos entre dunas delira-se  ... contorno de oasis filete gota vapor e chove  um perdão  à humanidade pela humanidade que a acomete  numa lágrima que contém  todo o tempo do mundo  da alegria, da dor que vaza  aquilo que sobra seu resto de mar do mar que um dia fomos  quando éramos peixes  Rosa

Lacra

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  "Experimentei quase tudo, inclusive a paixão e o seu desespero. E agora só quereria ter o que eu tivesse sido e não fui.” Clarice Lispector  o corpo do poeta se fecha por completo  de quê adiantou retirar as lascas? se no entremeio  só sobraram feridas expostas? novas cascas se formam e atam a pele ao lado de dentro  sanam? se abrirá o corpo de poeta  ao que convida  ao que chama? será que se lacra invólucro? algo mudou sob seus pés  e o corpo de poeta não é aquele corpo  que se dava aos prados aberto até ao impossível devaneio, presença  foi o efeito da palavra que dói  flecha  a saber - resto nada se sabe da alma, mas antes arco  a se envergar e lança  um disparate  que vento algum  despia que as águas não afogava e o poeta era pena de asa e voava  e o poeta era mergulho  e emergia fagulha a creptar  versos agulha a cerzir  na própria carne as tatuagens dos poemas ... esses que vêm da...