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lá vai poema!

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riscar um manisfesto sobre barreiras em muros, cercas e outdoors no teto de amianto escrever o céu colher a chuva a prata da lua ...raios dourados de sol riscar um nome numa canoa vagarosa sobre a lagoa a se chamar poema e traçar nas águas ...poesia "lá vai poema!"  rosa a.

Primeiro Amor - Samuel Beckett - poema Spoiler

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Já disse isso quando li Zorba o Grego... Gosto quando o livro começa duro, sem preliminares, direto ao Capítulo Um. Mas Primeiro Amor, é como o primeiro amor da gente, a coisa rapidinha, e por ser uma rapidinha, é um único bloco de pensamentos, nem dá para se dizer que há um capítulo. É mais duro que Níkos Kazantzákis ao nos trazer Zorba. Ainda não terminei embora seja uma rapidinha, hoje o dia segue lento... estou com sono. Spoiler começa duro como a morte e como os homens e segue... termina breve noutro impacto com tal data marcante a morte são os gemidos de sexo de dor de nascimento uma vida de gemidos o eco termina sonoro um grito e um silêncio

O indizível

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  onde dor e afeto  se misturam  como encontro de salivas que distantes recapitulam  o ato — não te dói?  no ardor da tua pele me perdi de minhas diretrizes  a rota era simples beber até me saciar de teu sexo sentir teu peito palpitar de afeto mas, um corpo em chamas sofre ao frio não sou a mesma que negara o amor como uma rocha digo: aprendi com sua liberdade a me despir do que cria, real e potente; da avidez que combate e nua se entrega como a arte das palavras é dada solar à boca de tua prece  - e me transpassa a chispa - tu tens a liberdade e uma eternidade  para que o digas eu seguro as consequências, sou forte... — vê? não sei dizer nada  além do filete d'água  que escorre em meus lábios de desejo... e da emoção de te ler em cada linha tão real, e presença... tão você! - não há respostas aqui - estou aberta a qualquer atravessamento  quer seja de alegria ou indizível  pois que nada é tão fácil como percebe a criança lambu...

Martírio

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  me erra a língua bifurcada dos olhos esféricos da fera a rabiscar com tinta falha achaques em versos insossos a fera bruta farfalha no esquecimento não sofre de ranhura na lima escorregadia, não goza mas bem queria dentes cravados a lhe rasgar a carne até a vértebra de veneno peçonha... fosse mais esperta deslizaria a língua a me lamber entre as pernas mas, sofre de ausências e clama delirante amores que temerosos correm pelo descampado só lhe sobra calcanhares vacilantes de mulheres inocentes é de dar pena... mas serpentes não voam e não sabem o prazer de uivar em noites de lua cheia Rosa Do caderno: Mercúrio em Escorpião

o fim é sempre um recomeço

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não é sobre o clima árido do inverno não é sobre o clímax dado aos corpos cálidos estirados sobre o tatame em que lutamos e somos vencidos ou sobre os vãos nos tapumes de nossos versos talvez seja, a falta do timbre na voz de quando não sabemos compor o poema ou não entendemos a letra que pende o traço na margem há o anseio em agarra-la, antes que o abismo a trague no esquecimento creio, seja isso de querer significar o que por si, dispensa qualquer linguagem e diz, amor, pois que é amor o zelo... ao dizer de um nada, com certo afeto, apenas um fim, sem perdas nunca uma lâmina a dividir a vida incapaz de deflagrar uma bomba no peito, outro assim, o fim é sempre um recomeço (sem ponto final) um fim reticências... Rosa Fotos: "i_am_four-eyes" de Bangkok.  

presença

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"Enquanto isso o destino seguia nossos passos Como um louco de navalha na mão." Arseni Tarkovski essa palavra difícil de unir após o intrometer da distância palavra que em nada é ausência ausência, é esquecer mas estais em mim feito vapor, neblina, e amor é esta palavra que gesta espera, uma espera ansiosa que não finda... eu sei. nada espero além de fronteiras mas gestei quase mil filhos para você, por querer, e não sei onde está o amor... perdi! esqueci dentro da palavra segredo em nós, essa palavra, nó que não combina com amor este que tem asas e fica perdido dentro dos nós e não se sabe amor talvez nunca mais saiba talvez um nunca, foi e dizer dos filhos soa estranho eles esperam, antes o vôo com os bicos abertos os meios de viver e suster as penas para seguir quando só possuo poemas que despencam do céu de minha boca e os dou. e isso é dar pena, estou dando agora ao rabiscar... isso é amor? ou ele se perdeu entre algum significado? intraduzível poema Rosa  

quando cessa?

  Querer mais e mais do mesmo — até a última gota o intervalo... — contido no beijo. — da boca oca que não comporta. — ausência. — esse território... — muro! — parede, faixa. — que em nada é guerra, mas nuances de cores camufladas — a mesma boca que busca e sussurra entre batons lamúrias. — e toda as vogais contidas no hiato mais longo... reza palavra; rega palavra; rasga palavra. — entre versos nus de promessas e atos nulos. — colheita de tempestade na língua intraduzível de um poema — puro grito! e se arrebenta num mosto de saudade ao cantar em um idioma que não se sabe _amor, libido — é por sentir um querer mais, e mais do cheiro e do gosto — e temer mais que tudo o que não sustenta nas brechas do tédio mas que é necessário — essa lacuna do entre/acontecimento... — desejo. — quando cessa? Rosa Fragmentos do documentário Thorvaldsen - Dryer

4/1

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4/1 * não precisa ser leve, amor peso pena, nem peso morto como escora a segurar o fluxo o peso muito equilibrado apenas nos impele a pesar mais no lado sombra aquele no qual temos medo basta deitar suave sobre meu espaço desestabilizado para não amassar as páginas cinzas da minha vida que você insiste cobrir com pasta térmica Made in China ** não precisa ter a pele da delicadeza, quero tatear com os dedos entre as ranhuras, tuas fendas cicatrizes e pigmentos que tanto decoro com o indicador sobre a tela não aprisione em garrafas o tempo, o que se foi ou aquilo que não se sabe se virá ou se está sendo e não percebes o corpo já é fronteiriço e cruel com tudo que chega e se desnorteia com o que vai ...mas mãos que o libertam com afeto são valiosas e raras importante não segurar caminhos agarrado ao meus pés e fios que assim você tropeça e me desligo máquina, sem gozo, um bug em tela branca só retorno após um boot, fria e você me sentiria estranha, faltante de algo que não sabe qual a rep...

um deserto nos teus olhos __de Mar

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— posso me sentar ao teu lado? me deixe ver teus olhos? ela delirante falava isso enquanto agarrava-o pelo queixo e apertava-lhe as bochechas — é que tem um deserto dentro deles e talvez você me mirando profundo eu possa encharcá-los aí talvez nasça neles um oasis e eu possa matar minha sede de você e você tua sede de mim quem sabe? quem sabe escoo desse delta, um afluente e a gente junto vira rio quem sabe __ mar? rosa a.

mais forte!

  muito mais forte que um potro selvagem a mão que aperta o pescoço onde bafeja por detrás palavras putas, profanas mais forte! a carne não perdoa a pele que penetra mundana, outra carne, a carne coisa... tem fome e é voraz e se ergue como a égua em prados e se rasga para sentir a eletricidade percorrer a crina o formigamento a penetração a enrijecer os músculos o tormento do amansar o tenso do semblante o pressionar, o relaxamento a suavidade das cavidades entre ósculos enternecidos dos amantes para na pequena morte eternizar, como inesquecível(...) ah, o abalo do tremor... que faz do corpo, espasmo o gozo! nada sentir para sentir-se mais potente o mais forte que a carne exige enfim sobre a pele última o pouso aterrissagem do corpo que forte! cansa, e adormece, e repousa sobre o exausto do 'meu corpo e não sei mais o caminho me perdi na relva de teus olhos enevoados guardados em um resquício de memória de quando me eram nítidos e dentro de minha carne me dedilhava foco cravado .....