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El Búho

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pecas comigo? que sei, sou metade tu que sabes, és metade corrupta? nós que buscamos na amoralidade saber até onde se vai, mais além e vamos onde o desejo arde na mesma pele que se liquefaz ao toque sempre desejosos por ir à outra parte nós que desejamos a parte viva de nós mais que os vivos que são íntegros que sabem para onde o desejo leva nós, metades que se buscam nas vidas, inteiras de dor garantir-lhes a paz aplacar o que em nós é falta, pelo tanto que a dor nos tirou pois que uma metade de nós é morta e se voltamos é por necessidade de refúgio para a parte viva, viver pecas comigo? na mesma sombra que dizemos da luminosidade no olhar nós os pecadores condenados pela fé que em algum ponto da vida... morremos cedo demais e no quesito dor sabemos que chegar é o mesmo que partir que se dar é busca de se ter um pouco mais oblíquos um pouco mais no fundo mais forte Rosa Do caderno: Meu lado Angela morreu Imagem: Michelle Rae

o nome dele era minha fome

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  e mastigava seu nome feito chiclé meu buraco no estômago se preenchia com sua mão segura à minha e me alimentava apenas nas horas de suas refeições uma colherada de fé no seu Danone e no de seu irmão uma mordida permitida no bolo Ana Maria de cada um era o tempo que tinha para me manter um cabide erguido em saltos nos quarenta e sete quilos de mãe de dois guris a saciedade garantida aos tragos no Free e na algazarra do caçula ao velotrol ou ao vê-lo correndo entre os touros com botas de açougueiro chapéu de rei do laço um berrante na mão nu na parte íntima queria voar entre galhos como um Tarzan ele é um buraco no meu peito que tento preencher com amores anárquicos a saber da mulher que não tive tempo ser quando zelava por seu corpo cheio de viço não é assim, ser mãe? um coração do tamanho da soma dos corações de seus filhos tenho metade de um coração ou um coração vazio em alguma parte uma aceleração de saudade que se equilibra na expectativa de um menino/homem que me chama "mã...

perdoa o poema que te digo

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perdoa o poema que te digo ele não sabe ser poesia é livre e solto ...solo, rodopio talvez soubesse e poderia ter sido um poema belo, um haicai paisagem em gotas e tudo fosse potência de mágica e fosse tomada pelo mistério de dizer coisas agora insisto prosa, missiva e o poema ficou meio lata de sardinhas muita coisa a ser dita contida no curto espaço de um peito contrito perdoe a letra a indireta a fala tosca, tola das coisas ditas trôpegas cambaleantes delírios... perdoa a falta de rima, métrica não ser soneto trova alguma ser poesia enlatada perdoa a poética que me falta rosa a.

cadela de guarda

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ladrilhos coloridos, partidos garrafas vazias, quebradas lamparinas aos pedaços cores transparências luzes [ausentes] na retina, a mesma mira o blur, pelas velas iluminado estou ao rés não sinto nada nem o filete do sangue que escorre em lugar de lágrimas há feridas feitas em Alma ...penso, "é necessário cuidá-la" os destroços em fotografias achei, fossem miragem ela estava lá alegre transbordava partiu de mim, não percebo mais ela - volta aqui Alma! não me deixes desalmada... Rosa

Saturno é o Sol de Libra

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(Não temos Sol direto, Saturno é que nos ilumina, e nos sombreia) este coração cheio de fios e fitas, explosivo presente palpita e eu fujo. para onde não sei, talvez para... a parte onde a sombra me oculta o abismo particular onde seguro os escombros das pétalas e do amor que colhi, por aí. _eu fujo da conversa, desconversando; da presença; numa saída de emergência, à francesa; do tumulto dos corpos, buscando a zona mais vazia de meu logrado corpo. _eu fujo sem saber chegar, por onde andei, se é que andei ...acho que corri parado no mesmo local a ermo. ainda ontem enquanto matava a saudade, escapuli na hora da tensão e quis chorar. _eu fujo para evitar o argumento fingido de não querer ficar, pois que, Putz... não posso! então que ele palpita cheio de palpites e pesa, o amor, tem um peso que meu corpo não consegue segurar, por maior que seja meu corpo, minhas pernas tremem diante dele _quero correr. minha cabeça se ergue par...

homens comuns não sabem de flores...

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quando elas pedem rega, quando elas pedem poda, quando elas só querem que as poupem. homens comuns apenas colhem flores e as dispõem sobre a mesa como pedido de desculpas.  homens comuns não sabem que toda flor se mantém num caule de aspereza: mesmo as suculentas, mesmo as solitárias flores dos cactos. os poetas sabem... dos efeitos dos espinhos das rosas sem nunca os tocarem, que os insetos sequer os percebem e os parasitas destroem roseirais inteiros. os jardineiros não sabem tanto de flores quanto se pensa... apenas as mapeiam em quantidade, formas e odores, são seus enfermeiros. os botânicos e bioarqueólogos nada sabem de flores...  as cartografam as embalsamam, as matam. os fotógrafos as desbravam, como os viajantes. os jornalistas as temem, os jornaleiros só sabem de embrulhá-las e vendê-las. as mulheres as admiram e as escolhem; Hortências, Dálias, Flor de Laranjeira...  os anjos... se espetam para dar prova de que não vivem e se lançam dos céus aos mares, pois par...

Pêndulo

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 seguir para o Norte? para o Sul? ___ainda  que o percurso seja  interrompido  pelo passo  pelo holofote  no centro do palco e queiramos  performar a via em atos um, dois, três... e a bússola se parta e como um bumerangue  no ponto em que decide  e tudo fique estanque ou algum vento nos suspenda  em hélice pelo estro encontro em verso  ... vértice, quis dizer vértice  ou seria vórtice? esqueço  às vezes  quando num movimento  caótico  desatando  os laços de fitas  do emaranhado  dos cabelos  sou puxada ao lado oposto de onde ___seguir Norte? Sul? Centro-oeste  e parar  para prender os cabelos  seja necessário  para que não seja esbofeteada  a cara lavada sobre o corpo     p       ê    n       d    u       l    o  ___seguir o tempo que é aço e cinge a face  com o gum...

Sede

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  a carne dessa língua  contorna embebida em saliva  a auréola de meu mamilo  mordisca o quanto pode se sacia sente fome e vai além... degusta  do alimento de que disponho  (meu corpo todo cru, Ceviche, submisso) cobiça e carícia me aliciam no entorno de meu umbigo  desce dedo dentre minha veste intima e a tira  me toca  e me comove me excita  umedecido meu sexo  a língua, saboreia meu gosto  tonta estremeço  sou febre  ao mesmo instante que arrepio  vasante como um rio  sou toda líquida  suor  orgasmo  sou boca  e buceta encharcadas os olhos, marejados e tristes  a língua, despida de pudor silencia para me ver com presença, hiper-tônus sem cronos  vê meu dentro, me cativa sou um corpo que treme e arde diante o toque e me penetra os olhos emotivos  despidos de afeto  desprovido de amor ainda assim me conforta com a dor inevitável em que me aperta  por querer minha...

Em minhas Costas - Sou Atlântica

  no entanto  em tudo que é entorno  trasbordo apesar do sol que parte  lado esquerdo do monte de meu ombro diante meu nariz  o lago  resplandece na imagem  a coragem  das aves  a liberdade  no entanto e apesar de tudo  que envolve  há o mar incessante  de águas moles num açoite insano arrebentação devagar e sempre a romper maresia  a imponência  do mirante em minhas costas sou  Atlântica rosa a.

Outramentos

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  A busca da origem, é assim que termina. Exatamente como começa... Lembro meu sogro, digo "sogro", e sempre o direi, pois que embora já não o seja, me é, por experiência do que é a imagem de um sogro, não digo do sogro mais recente, embora este também ainda me seja, mesmo não sendo mais, me é, como o outro que absorvo do outro, outra experiência... e se isso que tento dizer parece inútil e confuso, tente ler Molloy de Samuel Beckett. Ah mas voltemos ao meu sogro, o Alberto... Lembro ter percebido o fim ao lado dele na cama, quando ao trocar sua frauda, ele me chamou de mãe, e naquele dia após os cuidados higiênicos e alimentícios e explicar que não era eu, quem ele pensava ser, o levei até o computador e pelo Google Maps, fiz um tour pelo bairro em que ele fora criado, e ele lembrava cada detalhe, cada nome da infância, cada tia, prima, a Pedra da Onça, o Bonde, as pornografias típicas de um cortiço. Lá estava Alberto em essência, o começo no fim. Cá estou eu, em busca de ...