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ficar é sempre confortável é inevitável ter de ir além daqui agora mesmo, não sei onde estou em algum momento, irei mesmo que não saiba o destino Ipanema, Ponte, Pecado e enquanto não vou permaneço no escuro e no escuro não vejo a borda e mesmo centro de passagem para o claro, se desfigura como se tudo fosse de um olhar esmaecido um blur e insisto em não tirar os olhos ao que me alucina certamente por isso não me movo e narro o que vejo na escrita que tateio - os dedos cheios de gozo por isso esse não lugar onde só o pensar resiste se te vejo tão atenta como não verei o apagamento? mesmo que seja eu, a negar o convite por uma exaustão de raciocínio necessito estar atenta adaptável aos movimentos ao calor dos corpos e seus cheiros no final é tudo que resta aos cegos mas se quiser, sair da mira ouvirei teus ruídos e murmúrios estática, porém mãos erguidas, pedindo atravessamentos a quem não tem nada a oferecer por ser vazio rosa a.   

a verdade não é neutra

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enquanto a voz que me diz se fazia neutra eu ardia em chamas agora ela me queima numa pira em que meu corpo todo carne vira cinzas eu mastigaria cubos inteiros de gelo pela revolta do mar em insistir em romper os icebergs mas tudo se condensou e a verdade não pode ser neutra nebulosa cheia de ruídos nenhuma das vozes que eu dizia dizia por mim ou me atazanava mas todas me mastigavam por dentro quando não as dizia até que acordei no nada vazia eu já sabia do nada e nunca pedi clemência ou gritei: me tira daqui! mesmo na hora do chute mas agora é diferente pois a voz me reduz, me desrespeita "vagabunda", "vadia", "insana" em nada espero o bom justo que o bom nunca tive nunca me deram e nem sei segurar isso também não pedi o ruim esse lado tosco sempre me veio como oferta que se dá sem em nada ponderar o amor a vida a morte e a impossibilidade de ainda dizer algo que afete sem atiçar brasas, me faz muda a voz que digo agora, crepita sem valor de testemunho pr...

a potência infinita

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  meu tamanho é da medida de minhas mãos caibo inteira nelas mesmo que desconheça meu interno sinto meu coração palpitar nas pontas dos dedos ele é do tamanho de uma das minhas mãos fechada batimentos, 80Bpm posso me estender até os pulsos onde minha pressão arterial diz do corte dos meus impulsos em 10x7mmHg quando tremo elas gelam quando em ira elas esquentam quando quero dizer escrevo e gemo para gozar, os dedos então penso nos homens que se medem pelo membro 12cm quando pinga e pulsa de desejo (18cm), ok... 8cm no frio ou no medo (isso é unânime) 10cm quando tomba ao lado meia bomba sem desejo há variações, obviamente de tamanho e espessura há o clima, a idade uma necessidade de dar conta do recado e quando falham uma desculpa esfarrapada gosto deles, tenho paciência espero... é inevitável armamento bom, boa lábia pensam que tenho a boca de vagina nada prometo apenas me esforço a dar o cu nas palmas das mãos como li em Beckett assim sendo, minha vagina comporta o homem inteiro ...

528 hertz

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olho a primeira palavra deste poema quem é aquela? de quem é esse rosto no reflexo? e se me gerasse? há outro ser ali que quer nascer e o corpo sente com espasmos parto da primeira palavra que me vê nascerá na primavera prevejo um inverno em trabalho de parir tenho os olhos grávidos cheios d'água envoltos para dentro gesto a vida que me gera cega como sempre fui marque os astros no dia em que nascer a lua dirá o tempo da gestação decerto nascerá ao som de ondas - 528 hertz para aprender a frequência de amar esse amor que não dediquei a você por receio mas que é você a cada piscar sabe? preciso de colírio para lubrificar as vistas de escamas uma gota de seu suor em cada pestana, a inundar minha íris como no dia em que te conheci nascerei nova visão no mesmo dia em que nasci prematura, velha e humana haverá balbucios sobre a cama terei voz de rio e já falando sobre amor sem saber como dizer direi mesmo assim sem você para ver e ouvir e me ensinar mais me olhando, marejar  

Gonzaguinha no meu fone gritando seu alerta

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  para onde foram as incertezas das cores num céu de brigadeiro? tudo azul no planeta azul previsão do tempo: nunca mais chove neste não lugar é seca, paisagem desértica neste outono pálido eu pálida esquálida à espera do esquecimento em um mundo que se aquece deveria me ocupar de outras coisas para além de pensar no plano azul do homem de aura blue com palavras de ossos brancos - gastos sua gota de Sol que me arde prescindir a memória marcha ré parar de roer as palavras em busca do tutano delas os restos deste homem de palavras brutas que intenta que eu endureça justo na caixa torácica e que ouça este ... "Veja bem..." de Gonzaguinha no meu fone gritando seu alerta entender a vida da gente dizendo "que não" e... carregar pedras me cercar delas e dentro de um círculo dormir com o coração leve deixar as palavras soltas feito pipas fiadas ... mas, sofro de palavras dentro penduradas no esôfago e não sei soltar palavras não sei ventar - ao tentar, engasgo chover mais -...

com propósito e fome

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Vida! tu aí, cheias de promessas... sabe aquele rochedo? não sei em qual latitude tu a ergueu em mim, caverna desmanchou magma lama! diante abalos incontáveis derreteu entre brasas ascendeu incandescentes lavas nas linhas que se seguiram após... - não vou repetir essa tecla fatigada - insensatos são meus tracejos que riscam o céu desafiam o Sol e faz de deus um amante que me lambe a carne ao cair ao solo, elevo o nível do Mar como a lua orbita minha pele agora, inativa - ilha - propícia aos corais - talvez nas mesmas linhas onde perdi meu estro e minhas raízes viraram cinzas mas sempre aceitei a solidão talvez a única companhia de senda Vida, sempre que vasculho sobre Alma me sinto esgotada e desabitada mas ela ainda me habita chama que sinto arder no peito Vida! preciso do ninho de um abraço feito de ossos tutano correntes sanguíneas e um pouco de afeto e água sem a língua de aço dos que não sabem amar mas temo o corpo outro erguido e belo desejo * estou mansa... Terra aplainada para ...

Maquetes Atemporais

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  partículas de peles se misturavam um tanto de sal, saliva e líquidos destilados suspensos impregnados aqueles corpos faziam maresia contrária à geografia à ontologia em pleno Centro-Oeste entre ossos de seres extintos vencidos pelo tempo; um estanque para as águas - vazio ... chovia horrores sobre lençóis num quarto de vestes lançadas à gravidade dos fatos - sem pertencimentos - era aquele Blue no estilo Ana Cristina César "um Blue feliz" uma embarcação ancorada no espaço em que eu, mulher desisti de abandonar no último ato... juro! era um navio em que o capitão fez como em Skammen de Bergman dados jogados ao nada que devíamos ter feito para impedir à deriva de nossas vidas Poema e imagem: Rosa

crista da onda

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ao final da última chama do dia acendo meu primeiro fumo descarto as cinzas em bancos de concreto a compor das paisagens cimentícias as sobras de meus pensamentos urbanos sobre os cascalhos espalhados atrapalhando aquele que caminha o semáforo que pisca amarelo dando liberdade aos aflitos que querem lar ou a liberdade de ser, apenas meu corpo alvo em pele bioluminescente se arrepia não me salvaria a copa de uma árvore à condição de ser crosta de terrestre ainda que sobre os montes do Norte eu toque as nuvens ainda que acima da crista da onda mais íngreme de Nazaré eu me afogue e me apague : ao acender o fogo do dia apago meu clarão na ponta de meu último cigarro e escureço meu corpo nas horas em que tudo incendeia a noite é um sussurro, um ronco sonho sem rumo... ouço em silêncio sigo em minha sina de vagalume notívaga à espreita de tudo que digo saudade e não me deixa dormir Rosa ilustração: Martine Johanna  

Guardar, Amor

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  segurar entre as mãos a brasa  e não gritar  sentir o apreço, seu valor manter viva a imagem acesa sem tocar  tentar o sopro inútil  que nada apaga e acende mais sustentar o nome do desejo na memória na boca  assim, como guardamos o amor : esse pássaro  que nos deixa uma pena, quando vai; essa flor  de única pétala, indelével que não sabe morrer e ressequida se protege nas páginas  entre frases quaisquer  Rosa Cena do filme Morra, amor