Missiva pós-Masoch para: Severino
estou dedilhando o amor quando toco as manchas arroxeadas em minha pele uma ou outra cicatriz o sangue oxidado no lençol finjo não vê-lo fujo de sê-lo antes, quando fui fui para cima - ventre e peito expostos num divã deitei meu horizonte no horizonte dele éramos então, horizontais dois pares de lâminas cortando a mirada do mar ao longe - feito raios entrecruzados no céu mais que isso me era impossível rajadas de vento se desfazem e quero sentir esse atrito pele - poeira - pêndulo força brutal foi na vertigem do horizonte o mais perto que cheguei do descanso do mar ao ver o Sol sem ter onde me agarrar além do outro corpo ali a me contemplar por um momento de gozo ou não como poderia eu com meu pobre corpo doí...