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Mostrando postagens com o rótulo poesia contemporãnea

Pássaro visitante

  o que queres pássaro visitante? me romper com tuas asas? ultrapassar as balizas náuticas? um mergulho em mar alto? ou apenas sobrevoar o meu deserto de sal? ou abrir o céu com cataventos  para que o mar se mova  e me invada as salinas? eu te digo! já sou úmida em todas as minhas partes e pelo tanto de maresia - corrosiva, e como as ostras presas nas rochas me retezo  quando algum ácido me invade. não há diques aqui! contenção alguma. recebo de peito aberto todos os afluentes que sobrevoaste eles me invadem com toda coragem, os vulcões de minha profundeza só fazem que me torne tsunami, mas eles continuam incandescentes. o que temes pássaro? que eu te engula? te roube as penas, além do gozo? te digo pássaro... sou abundante e alimento. todo meu sal te propicia flutuar e olhar o céu desabrochar em estrelas que nunca alcanças mesmo que sejas detentor  de cardeal magnetismo o meu profundo abissal  não é azul ou verde água, é escuro... gemendo para que me rompa...

...que pássaro?

  pássaro solitário, por um fio  avista um galho no bico a flor prepara o ninho ensaia a dança ...que pássaro é? dever, amor? devir, amar?

Tudo que me vem,

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  tudo que me vem é presumivel  que venha a noite e sua quietude o pai e sua velhice de alma o filho e sua impaciência de filho  a minha caminhada às cinco da tarde o yoga ao chegar dela até as cartas de tarot se repetem  e dizem sobre novos ciclos novo amor com o Louco, a carta do Mundo, o Ás de Copas  o Imperador e a Imperatriz as palavras... embora não venham em ordem determinada  sempre chegam  abrindo a janela da madrugada, meu peito... sem adivinhações, sem remendos, às vezes sem a pontuação para que aquele que às lê captem delas o que vai dentro de si elas brotam fazendo alarde e não me deixam dormir nunca sei se estou em transe ou de alma lavada gosto de crer que seja de alma suja, sendo lavada num córrego entre as pedras  gosto quando elas chegam sempre estou à espera delas e elas entram sem bater e me fitam de soslaio me dizendo: — vem... larga esse livro e vem me escrever! e derretida de amor: — eu vou!  rosangela a.

retorno ao nível do mar

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as marés te puxam, te sugam e empuram e o profundo fica para trás como os pavores da infância inalcançaveis pego numa rede de intrigas uma traineira à deriva faz emergir um peixe dos grandes emergir é necessário ao peixe à vida e como um pêndulo preso pela nadadeira caudal ... é exposto o peixe mais uma vez que relutante se enrosca ao ponto de se virar se solta e volta ao conhecido velho mar de afagar temor de virar fatias cruas em barbas ásperas de sal, sol e maresia nadar, nadar, nadar... boiar, e ao fazê-lo alcançar estrelas suspensas no imenso céu oposto desbravar ondas ir de encontro a uma jubarte que o ama mas o lança fora nas areias ele tenta o retorno, mas a jubarte volta às profundezas por um tempo necessário há conchas em seu espiráculo pérolas perfeitas de ostras sofridas resíduos de lixo marinho na areia onde as ondas ferem as rochas o peixe expande o peito comprimido... grita! - "A distant ship's smoke on the horizon You are only coming through in waves Your lips ...

pequena ilha

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j á te falei como as placas tectônicas se movem no mar? numa profundidade absurda são necessárias erupções e a constância delas formam artérias incandescentes subaquáticas entre as entranhas da Terra e o Oceano que ferve e resfria a pressão, o calor formam línguas, incandescentes a lamber tudo o que encontram à frente um desastre lindo um desafio de aniquilar tudo que ao encontro da superfície levado ao éter entre tempestades elétricas e ventanias abaixo das plumas de cinzas rochas se chocam, se brutalizam e se atritam indomáveis eis que as bocas beijam o céu, eclodem este é o estágio onde o sólido, líquido e gasoso tem um encontro marcado - uma triangulação insólita até a inatividade tudo é caótico vibra e treme os arredores, e o mar dança um tango com a Terra, num recuar, roçar e se lançar por conter carbono, fósforo e toda uma cadeia específica de elementos algo surge ilha cercada e a vida se espalha - eis o que há (...) e mesmo que continentes se criem eles só servem para nos delim...

Belo

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— que delicado é lidar com o coração do outro... e só agora me veio a flor particular que há em teu peito que qualquer movimento despetala. o que sente a flor quando tocada, em suas pétalas? que cheiro exala em seu olfato? qual gota de orvalho a umedece? e o que sentes... quando sentimos teus espinhos? o que sentes quando acarinhado? com quais quais matizes desabrocha o amor em ti? será que tatua a pele? ou, só ...risca suave sob a pena, o teu cansaço? me sinto tocando a Graça maior do Universo. descansa, Colibri! rosangela a.

para onde você parte?

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a esperança jaz na sacada em hipnose noturna de quem se sabe só, sob as estrelas. há um trilho vasto que leva a lugar nenhum, que trouxe na bagagem muitas histórias. da sacada avista-se o trilho, o trem que chega, o trem que parte, as batidas dos dormentes contra as britas. o estrondo que silencia tudo que  a noite cala. o filtro dos sonhos parece trepidar contra o vento, despertando de qualquer ilusão, ou delírio febril  aquele que dorme.    vagão por vagão,   partem todos...  e sobrevém o nada  do destino que não se sabe. resta uma suave brisa acariciando a face de quem fica e, dos rebeldes que partem com os rostos para fora, buscando um adeus  e acenando para o nada rosangela a.