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Pássaro visitante

  o que queres pássaro visitante? me romper com tuas asas? ultrapassar as balizas náuticas? um mergulho em mar alto? ou apenas sobrevoar o meu deserto de sal? ou abrir o céu com cataventos  para que o mar se mova  e me invada as salinas? eu te digo! já sou úmida em todas as minhas partes e pelo tanto de maresia - corrosiva, e como as ostras presas nas rochas me retezo  quando algum ácido me invade. não há diques aqui! contenção alguma. recebo de peito aberto todos os afluentes que sobrevoaste eles me invadem com toda coragem, os vulcões de minha profundeza só fazem que me torne tsunami, mas eles continuam incandescentes. o que temes pássaro? que eu te engula? te roube as penas, além do gozo? te digo pássaro... sou abundante e alimento. todo meu sal te propicia flutuar e olhar o céu desabrochar em estrelas que nunca alcanças mesmo que sejas detentor  de cardeal magnetismo o meu profundo abissal  não é azul ou verde água, é escuro... gemendo para que me rompa...

uma vez disse num divã

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—sofro de ausências sofro de pausas e do antes estou num descampado e nele às vezes danço  faço do vento corpo uso das palavras  numa campina que cresce e é podada ao mesmo passo como quem grita num prado em estado de nada e uma flor acontece meu corpo reage e tenho febres  e os banhos me tiram da pausa então me concentro con-centro como em hipnose, ou em queda quando despenco, ou ardo se espera na pausa ardente  pausa é ausência que arde o antes sentido é onde se encontra o feixe  o foco o alcance  o choque e existe sentido na ausência  quando ardo  uma vez refleti num divã "umedeço no durante  associação mental de acontecimentos? a pausa é o segredo da ausência? nela sofro de acontecimentos  — intervalos ocos? melhor ficar inerte e arder em queda enquanto tudo acontece e não me interessa pois do acontecimento" te digo __eu quero é o esbarrar da minha pele na tua para adermos juntos e dentro e fora e dentro__ rosa a do caderno de anotaç...

Hiperfoco

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Dmitry Gorohovsky continuo a fazer poemas às quatro da manhã, até quando chove e teu rosto me vem, e parece inundar de uma cor improvável a meia luz de meu quarto e suas esquinas sombrias... os meus cantos, e minhas curvas de mistério. eu poderia dormir e sonhar, eu poderia sair à rua e esperar o sol nascer e apreciar o espetáculo da vida inciar em novo dia, com os pássaros e seus sons de pássaros, a cigarra gritando no meu ouvido -acorda! mas estou mergulhada em palavras que descodifiquem tua tez, teu endereço universal, você que não sei. acontece que não vou. acontece que não largo dessa luz de artifício. acontece que a noite é densa e não combina com o alvorecer e sua sonoridade. acontece que tem uma música ecoando no silêncio, e tem essa areia que escorre em fricção de corpos. é como tentar entender a aurora boreal e ser lançada no Espaço com teus segredos... tão belo e ausente de sentidos. arrisco uma escrita torta, que até parece fingida, mas que provoca antes de ser esquecida. ...