uma vez disse num divã




—sofro de ausências

sofro de pausas e do antes

estou num descampado

e nele

às vezes danço 

faço do vento corpo

uso das palavras 

numa campina que cresce e é podada

ao mesmo passo

como quem grita num prado

em estado de nada

e uma flor acontece

meu corpo reage e tenho febres 

e os banhos me tiram da pausa

então me concentro

con-centro

como em hipnose, ou em queda

quando despenco, ou

ardo


se espera na pausa ardente 

pausa é ausência que arde o antes

sentido é onde se encontra o feixe 

o foco

o alcance 

o choque

e existe sentido na ausência 

quando ardo 


uma vez refleti num divã


"umedeço no durante 

associação mental de acontecimentos?

a pausa é o segredo da ausência?

nela sofro de acontecimentos 


intervalos ocos?

melhor ficar inerte e arder em queda

enquanto tudo acontece

e não me interessa

pois do acontecimento"


te digo


__eu quero é o esbarrar da minha pele na tua

para adermos juntos e dentro e fora e dentro__


rosa a


do caderno de anotações: um amor duro demais

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