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Pássaro visitante

  o que queres pássaro visitante? me romper com tuas asas? ultrapassar as balizas náuticas? um mergulho em mar alto? ou apenas sobrevoar o meu deserto de sal? ou abrir o céu com cataventos  para que o mar se mova  e me invada as salinas? eu te digo! já sou úmida em todas as minhas partes e pelo tanto de maresia - corrosiva, e como as ostras presas nas rochas me retezo  quando algum ácido me invade. não há diques aqui! contenção alguma. recebo de peito aberto todos os afluentes que sobrevoaste eles me invadem com toda coragem, os vulcões de minha profundeza só fazem que me torne tsunami, mas eles continuam incandescentes. o que temes pássaro? que eu te engula? te roube as penas, além do gozo? te digo pássaro... sou abundante e alimento. todo meu sal te propicia flutuar e olhar o céu desabrochar em estrelas que nunca alcanças mesmo que sejas detentor  de cardeal magnetismo o meu profundo abissal  não é azul ou verde água, é escuro... gemendo para que me rompa...

Passarin - Conto

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"estou retirando as cascas  as lascas que atam minha pele às feridas como quando descasco alhos roxos são lascas finas  difíceis de retirar as camadas desse tecido quando e onde entranhado o corpo fica curiosamente, guardo cascas de alho é um ritual do qual não me dou conta meio bruxa, meio louca, meio má  estou em busca da minh'alma percebo as do meu redor sei quando são boas, quando não  quando não há... mas a minha me escapa a essência  por isso retiro as cascas as lascas e quase as devoro feito criança que as come pretas lascas dos ralados joelhos há tecidos artificiais finos, fibrosos  cola de papel na palma da mão seca tecido, teia, traços  há quem leia mas não me leio estou retirandos as cascas as lascas de meu corpo em busca da alma que me habita e me importa saber se sou boa, se sou má  talvez me revire cebola hei de chorar talvez alcance a ancestralidade nos veios espessos de minha árvore talvez escorra por entre seixos ao me derramar se...