tudo que me vem é presumivel que venha a noite e sua quietude o pai e sua velhice de alma o filho e sua impaciência de filho a minha caminhada às cinco da tarde o yoga ao chegar dela até as cartas de tarot se repetem e dizem sobre novos ciclos novo amor com o Louco, a carta do Mundo, o Ás de Copas o Imperador e a Imperatriz as palavras... embora não venham em ordem determinada sempre chegam abrindo a janela da madrugada, meu peito... sem adivinhações, sem remendos, às vezes sem a pontuação para que aquele que às lê captem delas o que vai dentro de si elas brotam fazendo alarde e não me deixam dormir nunca sei se estou em transe ou de alma lavada gosto de crer que seja de alma suja, sendo lavada num córrego entre as pedras gosto quando elas chegam sempre estou à espera delas e elas entram sem bater e me fitam de soslaio me dizendo: — vem... larga esse livro e vem me escrever! e derretida de amor: — eu vou! rosangela a.