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não precisa ser leve, amor
peso pena, nem peso morto como escora
a segurar o fluxo
o peso muito equilibrado
apenas nos impele a pesar mais
no lado sombra
aquele no qual temos medo
basta deitar suave sobre meu
espaço desestabilizado
para não amassar as páginas cinzas
da minha vida que você insiste
cobrir com pasta térmica
Made in China
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não precisa ter a pele
da delicadeza,
quero
tatear com os dedos
entre as ranhuras, tuas fendas
cicatrizes e pigmentos que tanto decoro
com o indicador sobre a tela
não aprisione em garrafas
o tempo, o que se foi
ou aquilo que não se sabe se virá
ou se está sendo e não percebes
o corpo já é fronteiriço
e cruel com tudo que chega
e se desnorteia com o que vai
...mas mãos que o libertam com afeto
são valiosas e raras
importante não segurar
caminhos
agarrado ao meus pés e fios
que assim você tropeça e me desligo
máquina, sem gozo,
um bug em tela branca
só retorno após um boot, fria
e você me sentiria estranha, faltante
de algo que não sabe qual a reparação
o dano
***
é necessário ser vapor
e me manter úmida e aquecida
sem calma, deixa a calma
lá na rua onde o mundo rói sob controle
e não sai para o fora, de si
não escapole
quero o dentro e a beira
a impureza contida que extravasa
... ser humanizado, é que te quero
o real, o essencial
ao movimento
do mar
do amor
das correntezas da vida
do barco que desliza em seus remos
****
imprescindível
não me matar o corpo de mulher
a alma do poema que me abriga
antes que a vida por si só
se encarregue de me silenciar
basta o cheiro, e o grito
a mão no meu pescoço enquanto deliro
a visão apocalíptica
que é te ver vulto
no mesmo espaço que sou neblina
ora clara lua, ora cantos sombrios
mergulho
ave de rapina
junção do real e do imaginário
projeção, projétil
arma de caça
amor em tela cheia
Rosa
Imagem: Sashanoel

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