uma visão fronteiriça

 




"Um rosto aparece subitamente sobre o écran, parece fixar-me olhos nos olhos, e aumenta com extraordinária intensidade. Sinto-me hipnotizado"
                                        Jean Epstein

cortinas pesadas
insistem o movimento 
aos pares
ao mínimo deslocamento 
do ar
rarefeito 
nas alturas 

não sei se é 
uma dança
não sei se é 
um respiro
ou a força da luz externa 
que invade opaca, o escuro 

não sei se o tempo
a contar pelos dias
— de certo seria não fosse o tempo
estático para elas — 
para mim posta ao batente 

e mesmo quando a chuva deita
e as umedecem
o ritmo, é quase imperceptível 

elas parecem querer 
o vôo impossível — quando venta

presas que estão 
no mesmo lugar/qualquer 
das coisas insuportavelmente 
impossíveis 

até puirem
e romperem com as demarcações 
do tempo

com o roçar 
nas folhas
de vidro
fumê

onde um peito enlutado
contrito pelos enganos do acaso
se vê refletivo, e

... não as sacodem 

pois logo 
parte 
para seu lado vazio
de dentro 

em algum outro hotel
que acolha o seu silêncio 
e sua dor que range

e se disfarça 
a dizer da paisagem 
lá fora 

Rosa

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