estava escrito em páginas virgens repletas de vazios mudos. nus... prantos secos verdades expostas feridas promessas descartáveis mentiras alguns enganos possíveis divagações de sonhadores aflitos estava escrito em peles tatuadas de segredos mitos ocultos almas inquietas algumas até subversivas estava escrito sempre em letras miúdas para não ser visto passar desapercebido ao oco espaço no peito do poeta jogado ao limbo quase um medo escondido estava escrito assim sem nada a ser dito poesia e pedra bruta que se lapida por sismos ventos cortantes, temporais e dias frios é flor que o vento despetala desfolha desbrava a palavra era p o e m a e se dizia vertigem vórtice fuligem aorta rompida o sangue esguichando o corpo rijo palavra decaída, descabida a pupila fixa uma fotografia sem flash um ISO impondo ruídos brancos uma tela óleo umedecida um pincel banhado em linhaça um perfume um GRITO! eis o resumo breve e tolo do que um poeta vê nas simples coisas da vida...