Efeito Kopp–Etchells
Efeito Kopp–Etchells
— Por que você vem?
— Por que você regressa?
— Impulsividade, amor.
— Por que você foi então?
— Havia uma catástrofe à vista... Dois abismos entre nós, você um não regresso, eu um desastre natural, e sempre que caio, dói.
— És de guerra, então, quer brigar, me bater, gritar?
— No geral sou da Paz, quero amor, não quero machucar, jamais. Você nunca responde?
— O abismo me atrai, por isso essa imensidão. Vê?
— Quer me ver em queda?
— Sabe essas águas todas? Sabe as areias do deserto?
— Estou cercada por elas, vivo nele.
O Homem com o dedo faz um círculo luminoso na areia do deserto com um ponto vivo no meio, enfim...
— Em ambas residem escorpiões, escorpiões que são como putas, vingam-se quando alguém goza, atacam, se aprazem na fraqueza do regojizo... Isso é o que sou!
— Se és como puta, qual teu nome de guerra?
— deus.
— deus não fala...
— Um deus menor de certo, adorado, mas sou como qualquer grão de areia ou gota. Poeira, filete.
— Perdoa a obsessão, como tempestade de areia sei que sou, e como teus anjos e santas e as putas, entre letras miúdas sou verbo, por vezes veneno, também... prazer, sou Poeta!
— Também sou, mas não somos iguais.
— Abismos?
— Abismos.

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