Suspensa
revê cada tropeço inesperado,
se atordoa com os desenganos
o corpo,
grita ao ar seus devaneios,
seus poros exalam medos,
incertezas
o corpo,
que me sustenta agora
aflito, suspenso ao ar,
carne fresca, pedaço de mim
numa exposição carnal
pronto pro abate...
mira uma forca no teto
o corpo é coragem
couro duro de roer,
de existir ou desistir
- quem se importa agora?
o corpo que me veste,
grudado a minha alma...
este corpo onde não caibo,
este olho que me despe
no espelho,
esta boca que me denuncia...
rimas, poemas, atos falho
e estas mãos calidas,
tremem ante os desafios,
insistem os rabiscos
e amarrou a corda suspensa
para hoje,
este corpo é o que tenho
e me possui por inteira.
rosangela a.
arte: Alyssa Monks

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