Aprendizagem do Eu


 



a dizer das incertezas, apalpo o impossível caótico e me demoro nele.


a ver, em meu mergulho uma ponte submersa, inútil em minha condição humana


- ainda assim há ponte -


dizem, ato falho. talvez seja, para que me salve de mim.


a mesma se lança ao céu e me convida. mas para prosseguir necessários seriam os elos conectados, a via nítida e até respirável. o favorável no cruzamento, o encontro, você que amo, sem que te leve a escolher mal por manipulação de quem mal fala e fala apenas o que já se disse em inumeráveis bocas... numa tentativa de me adequar ou quase.


quebro a palavra que me de/genera, estou vazia dela e por estar vazia, me perco nos hiatos. eles são halos, ralos de depuração... ora, que dizer agora?


a questão não é dizer, é ir... e para onde vou? esperar também é seguir? seguir na espera? devo, para passar o tempo, juntar as palavras e comê-las... cuspir depois? e já não é o que faço?


decidi...


não vou esperar, vou sair às ruas, esquentar meu sangue, me irritar no trânsito, me entediar nas retas, perder a rota, sentir a ultrapassagem, não xingar, temer a parte sinuosa e estreita ou simplesmente, se estacionar no acostamento desta vida que meu pai me deu, será para não sucumbir de exaustão, estou tão cansada, por isso pensei em meu pai, afinal...


acaso sou a não nascida? e por isso não sei seguir?


(minha mãe me esmagaria por isso. ela saberia que estou a me punir.)


não sem calcular o estrago em meu corpo se acaso em uma queda me espatifasse e, olha só... so-bre-vi-ves-se.


mas não quero a morte prevista, ela virá sem que eu a apresse.


quero é nascer...


um útero, por favor! uma dose de tequila e guardanapos quentes... preciso escrever poesia, parir poemas!


não é preciso o naquin, grafite ou tesoura quando este líquido me expelir.


tenho sangue nas pontas dos dedos, estes mesmos anêmicos, tenho dentes famintos de clemência, de morder o seio, mastigar a vida... ruminante repetição.


estou cansada de mim?


não me dê conselhos! e não me mande flores, bilhetes. nada que seja morto.


me dê um tanto de afeto, para que eu sinta o outro e me perca da que sou.


não que seja má, vá... pense. não que não valha à pena. até me gosto. é que não sei me ser, pois sempre fui um certo alguém e alguém me dizia tão bem. outro alguém me deixou assim. nada específico, digo na verdade de outrens. eu não consigo me dizer, mas testarei as possibilidades ao espanar as camadas de todos que me constituem. alguns com pesar. um lamento, devo aceitar. 


sem nódoas, serei nova, e novamente terei de aprender a dizer... eu consigo, vamos lá: eu te aprovo... (eu te amo,


Rosa


Comentários