Das impossibilidades

 




meu amor
se fez fogo em erupções 

não sem antes se fazer das águas 
em gotejos sobre mares 
e afogamentos em rios 

da impossibilidade do tempo 
meu amor riscou linhas convergentes
na matéria sólida de uma mesa de jatobá

e fez concreto 
em uma ponte já rompida
da qual sem medo, se lançou 

do vento meu amor se fez sopro
para desfazer dunas 
e a fuligem que pairava no ar

- aquele sopro de aquecer... -

uma vez ele se vestiu de sombra 

o corpo inteiro de meu amor oscilava
entre o breu e a luz prata
para dizer dos perigos de 
se saber demais
toda vez que baixamos as vistas 

era então meu amor lunar 

do amor
meu amor nunca disse nada
além dos amores perdidos sobre colinas
e o tule sobre o vidro 
onde o amor
não era convidado a entrar 
mas ornamentava o jardim 

- tá vendo lá... aquela flor? ao lado da Costela-de-adão! -

meu amor sabe das coisas impossíveis 
mas nunca viu o possível 
lhe sorrir

... e lhe dizer 
- estou aqui, te amo como és
onde estiveres, estarei -

então meu amor baixou as barreiras 
para me dizer 

- não era amor - 

era como se o amor 
fosse algo além de caos 
nunca o guarda corpo de um cais
uma cama de frenagem

e se fosse navio
seria apenas o mastro a firmar as cordas
onde o vento toca suas notas musicais 

meu amor é mestre
doutor em amar

mas nunca me viu
embora tenha olhado a face pálida 
de quem tem fome de amor

e sendo assim
nunca amou o meu amor 
não o meu, não o meu 

pois corre o mundo 
em busca de amor
a doar amor

e como isso o deixa frio
meu amor se acolhe em climas quentes 
para sentir a quentura arder na face
e seu corpo é puro vapor e sal

numa caverna
meu amor é um cristal sem polir

meu amor sublima o amor 

Rosa

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