O indizível
onde dor e afeto
se misturam
como encontro de salivas
que distantes recapitulam
o ato
— não te dói?
no ardor da tua pele
me perdi de minhas diretrizes
a rota era simples
beber até me saciar de teu sexo
sentir teu peito palpitar de afeto
mas, um corpo em chamas sofre ao frio
não sou a mesma que negara o amor
como uma rocha
digo:
aprendi com sua liberdade
a me despir do que cria, real e potente;
da avidez que combate
e nua se entrega
como a arte das palavras é dada
solar à boca de tua prece
- e me transpassa a chispa -
tu tens a liberdade
e uma eternidade
para que o digas
eu seguro as consequências, sou forte...
— vê?
não sei dizer nada
além do filete d'água
que escorre em meus lábios de desejo...
e da emoção de te ler em cada linha
tão real, e presença... tão você!
- não há respostas aqui -
estou aberta a qualquer atravessamento
quer seja de alegria ou indizível
pois que nada é tão fácil como percebe
a criança lambuzada de batom
pensei que fosse

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