A palavra - Oceano


 

há na doca

um corpo errante de palavras ditas


sussurro e

salivo ao dizer do mar, um poema


entre suores e calafrios

o poema correnteza sobre meu corpo

me desafia


digo desafinada - canto -

em recitais de esquecer 

nadadeiras irisadas 

ao reflexo, água e sol


um corpo ao léu se pronuncia ao mar 

que ama?


sem saber se avança 

no engano das ondas

ou se recua?


poeta... um corpo errante

e este meu corpo que surfa

entre desejo de um mergulho, só 

e banhos à sombra


é um corpo que teme entrega

mas que não nega 

o que provoca nele

o tremor de um poema 


o vapor

inebriante que leva de arrasto

a voz da poeta


a brincar com a língua na boca muda

a palavra - oceano -

ao sonhar com o corpo

do poeta  imenso 


sobre a palavra gozo

na carne crua 

que desperta esquecida

umidade relativa - absoluta


Rosa


Ilustração: Agnes Cecile

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