Diante do Mar Imenso


 

o corpo de poeta

já fora

movente duna

inquieto 

um dia estava aqui

noutro, um quilômetro adiante


mergulhou oásis 


e ao olhar para trás

as águas castanhas pelas folhas mortas

dos dias de rio de Virgínia Wolf 


correu veio d'água 

filete entre seixos

igarapé 


e diante do mar imenso

preso num dique

endureceu em escamas 

cristais de sais

insolúveis


o corpo que resiste 

estanque

vai e vem das espumas

em dias de frio 

e ressaca 


mas em dias de vendavais

o ar tempera o clima 

e sua maresia impregna todo entorno


e punem tal corpo 

que em seu desgaste 

se perde e dilui

feito ferro em liquescências


frente ao mar que esbraveja

um sonoro...

- vem, e vai... -

ao bater contra as rochas

nunca volta


ou diz das mesmas águas 

que busca o corpo perdido pelos ares

o poeta e seu cansaço 

voa


sem medir o calado

mergulha, boca aberta

no mais profundo abismo 


               por 

          natureza

        por instinto...

             de águ

                 a 


Rosa


Arte em aquarela: Agnes Cecile

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