Sede
a carne dessa língua
contorna embebida em saliva
a auréola de meu mamilo
mordisca o quanto pode
se sacia
sente fome e vai além...
degusta
do alimento de que disponho
(meu corpo todo cru, Ceviche, submisso)
cobiça e carícia me aliciam
no entorno de meu umbigo
desce dedo
dentre minha veste
intima e a tira
me toca
e me comove
me excita
umedecido
meu sexo
a língua, saboreia meu gosto
tonta estremeço
sou febre
ao mesmo instante que arrepio
vasante
como um rio
sou toda líquida
suor
orgasmo
sou boca
e buceta encharcadas
os olhos, marejados
e tristes
a língua, despida de pudor
silencia para me ver
com presença, hiper-tônus
sem cronos
vê meu dentro, me cativa
sou um corpo que treme e arde
diante o toque
e me penetra os olhos emotivos
despidos de afeto
desprovido de amor
ainda assim me conforta
com a dor inevitável em que me aperta
por querer minha animalidade, indomável
me dá de beber suas gerações
para que eu engula seu mundo
e sedenta de mundo que sou
encho a boca, com gula
deslizo a língua no meu lábio superior
e após, insana
beijo a boca da língua, em letargia
para dividir com ela que me suga
o despojo da lascívia
seu próprio mundo em meus dentes
gengiva
língua e amídalas
depois engulo tudo em silêncio
gosto do gosto dele
bebo, tudo... tudinho
Rosa

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