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transbordo

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dentro, tudo que não se repete  se expele... renovação celular, ovular, uma réstia de memória da infância entre gibis e lápis de cor maquetes estruturadas com cacos de piso tijolos quebrados, areia lavada nenhuma de bonecas ou coisas de menina. a estria da ruga que uma rusga  causou na pele, se aprofunda e tanto faz o cinza  dos dias, ou dos cabelos se multiplicando, ou ainda a clavícula pontuda  que mostra a esquelética forma humana. no corpo se multiplicam as dores afetos e desafetos... convivências, abandonos, domínios, territórios. o piso frio, as meias encardidas. o espaço onde nutro onde rabisco e onde fumo, o trajeto até a cama onde sou possuída por anjos e demônios. pesadelos e delírios às vezes renovo às vezes uma corda no pescoço mas dentro ainda habita aquela menina que vez ou outra bate o pé e faz birra. rosangela a.
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  é madrugada e o céu transborda o mesmo céu de chumbo o céu que outrora observara em luto da varanda evito cerrar os olhos que pesam pensar no amontoado de cães que partiram sem dizer adeus é enlutar o peito acho que vejo tudo como um enlatado de corpos prensados sem a piedade macerada de um cigarro que trago copiosamente tudo jaz e o que não jaz ainda tem seu tempo e quando se enluta se questiona os limites o que há de mim naquele que se foi o que há de mim naquele que irá o que há em mim de todos os ausentes talvez apenas o tempo e ele não existe o passado que se foi - acabou o presente que não há no segundo seguinte o futuro que não se sabe  - nada é previsível - se fosse divisível  (e não descarto nada) talvez alma ou partes dessa anima que nos mantém dispostos a caminhar mas aqui neste espaço, só vejo cinzas as cinzas do cigarro a noite cinzenta de chuva a tristeza cinza cinza tristeza triste rosangela a.
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Plantar esferas em tua boca  nua salivar. Colher afeto em teu semblante  tímido.  Catar teu olhar sobre mim... Longa espera. E agora, quando chega a estiagem E por aqui sequer garoa, eu perco o timbre, a voz, o ar! Hoje língua que não me procura, Palavra sem tom. Sonoridade nenhuma. Palavras que engulo a seco,  novidades perdidas, junto as vestes esquecidas em tua cama. Derramo em teu corpo ainda... Toda palavra que nos cabe! Mas aos poucos eu silencio. E é triste silenciar  Quando tenho tanto a dizer. rosangela a.  

Dissipando

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escovo os dentes  até que gengiva sangre. esfolio a pele,  cada célula morta pelos ralos  - vida inteirinha. alinho os cabelos,  pinto, descoloro. engulo poemas, leio, releio, decoro, mas cada um deles  sinto como nó no estômago que não desfaço, não digiro nem quando caminho  descalça na areia e os vomito  para que ondas os apaguem. rosangela a.

inabilidades

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tenho sinais de expressões  na pele que enfraquece, na fala que me sabota  [ato falho nos olhos que me cegam quando finjo que não vejo o nítido, o claro. tenho sinais de expressões até nos passos quando endurecem meus joelhos e insisto em pular  uma poça, muitas vezes um poço. tenho sinais de expressões até na cervical  e não falo de lombar, nem de ciática. eu falo é da brevidade... eu falo é da vida. rosangela a.

tantos anos

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algo da infância contida, menina triste que fora guardada dentro da pele,  ao lado esquerdo do peito. nada da mocidade rebelde de um dia. hoje asas da liberdade adquirida?  - não. apenas o livre arbítrio. hoje também serena, enquanto espanto! de  milhares de tons de aquarelas espalhados dos tendões dos pés, até as pontas - dos fios. ao esbranquiçado de meus calcanhares - lixa. às unhas quebradiças  - vitaminas.  à coluna enrijecida  -  yoga. para a mente povoada  - medito. e é agora que a vida acontece? - sim... quando tudo começa a ranger no templo que me abriga. sem medos, sem dobras me volto às pazes com a divindade que me habita. tudo é grito... é rito... delito, tudo é finito ...enquanto eternizo como armadura  versos inquietantes e alguma lira. rosangela a.

No vendaval da tua vida

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Faço parte deste vento frio que açoita minha face e a faz arder.  Eu volto seja doloroso ou não - o vento frio na face, as marcas deste açoite - Eu volto pela persistência e a coragem de saber que prosseguir é uma opção. Não importa o quão longe estarei amanhã, pois intento ficar.  Me importa, fazer parte deste vento recurvo, aflito ao seu lado.  E você se pergunta, o por quê?  Por que o amor legítimo se faz também nos pesares, quando nos damos as mãos coadjuvantes. Quando intentamos não só o prazer e sim o todo. E o todo de alguém nunca é deveras afável, favorável. O todo é tudo mesmo, é o bem e o mal da gente. Não há ponto de fuga, nem cabe resistência. O que está determinado, determinado está. Mesmo que o tempo traga outras vidas para compreendemos que um olhar atento, facilita o entorno e o dentro. O vento passa! Enquanto não, a gente domina... Juntos.  rosangela ataíde

violar-te inteiro, amar-te devagar

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eu mordo tuas coxas mas a carne é dura, então mordo teu membro ingenuamente, quase sem querer. não me culpe por violência doméstica... não, não! tenho as marcas de tuas mordidas na nuca e nos ombros. tuas unhas tatuaram minhas ancas. será que um dia sai? meus cabelos ainda pairam por ai  em algum canto... nenhum delito até aqui. delito é o silêncio e raramente silenciamos, embora eu fale mais que você,  durante a tarde e te silencie quando abro as pernas enquanto você distraído se desconserta e tente rasgar minhas vestes. ainda sinto você  deslizando os dedos sobre meu dorso até encontrar os montes de meus seios  e preencher minha boca como quem quisesse me calar enquanto alucino. há uma fricção, uma fixação... tesão? sei lá! cena de tv, cinema pornô ...  com aquelas luzes neon de seu computador e a sombra de nossos corpos na parede. mas nada me é mais prezado  que quando você, interrompe o gozo por mais um tempo para que se prolongue o efeito do mesmo. um ...

larva da palavra

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  a língua, larva da palavra esconde o monstro alegórico entrelaçado na garganta. escancara a boca de quem não se permite dizer nada além de palavras tristes, cansadas, pois tudo é cansativo a quem desiste. e eu lamento! eu ficaria triste. triste não... perplexa, se não houvesse o que dizer na hora do jantar em que eu sou servida viva, dentes a mostra, carne crua, cheiro que inebria. e necessário dizer tudo o que foi omitido, bobagens que provoquem risos, é necessário falar do dia, da canção preferida. não diria nada aos tolos, de certo me calaria diante do medo que arrisco trazer na bagagem, mas do meu silêncio nasce algumas rimas sem lira, às vezes cheias de ira, às vezes cheias de alegrias. minha língua anda inquieta e talvez por isso ando aflita. meus nervos a flor da pele estão me deixando exausta apesar de ficar calma e limpa diante do amor sonoro que vivencio. eu trago a paz, e alguma lucidez ainda me resta, pois muito enlouqueço nos dias de ira. eu trago a paz entre os dent...

meia luz

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render-se a meia luz desta vela que se acende sem fronteiras a perceber que nada nos detém no velar desta volúpia a saborosa boca rubra de teu corpo oferenda aos delírios que os lírios lá fora pendem e nós dois a tremer a cada mordedura até  a nuca a boca quente pertencentes à lua que o sol inebria abrasados pela chama deste enlace... a noite geme inteira rosangela ataíde