havia um quadrado dentro de outro quadrado



havia um quadrado dentro de outro quadrado

nele
no menor
você se escondia
refúgio das horas vadias
fora, outros
tantos te aguardavam
era necessário forçar as paredes
o escape esperado
mas tu
estava fraco
devido ficar muito tempo estático
pernas encolhidas
mãos postas em fé
a dar espaço ao corpo maior
que em ti se abrigava
sem que cria fosse ou alma tua
como caber é uma questão
onde caber... é entender o real imposto
a paga, a lida, o traquejo
o riso Colgate na hora dos talheres afiados
degustarem-lhe a carne em desova
é como morador de rua
marquise, pós marquise
para garantir a liberdade de ir e vir
a fome, a sede, o frio
paga-se preço alto para sair de uma caixa
quando tudo que se tem em mãos
são espaços
hoje fora do quadrado
és moldura
de um quadro sem tela
sem corpo estranho
sem nostalgia
algo te falta
por isso teu estomago rói, rói, rói
de não suportar ver o alimento
ou o vapor do gelo
de um copo de conter líquidos
hoje sabes
a fome que tens é inflamável
...é de presença tua fome
te falta pertencer
mas temes o quadrado fechado
de um quarto cheio de sussurros, gritos e gemidos
mas ao mesmo tempo
vazio,

rosa a.

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