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Martírio

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  me erra a língua bifurcada dos olhos esféricos da fera a rabiscar com tinta falha achaques em versos insossos a fera bruta farfalha no esquecimento não sofre de ranhura na lima escorregadia, não goza mas bem queria dentes cravados a lhe rasgar a carne até a vértebra de veneno peçonha... fosse mais esperta deslizaria a língua a me lamber entre as pernas mas, sofre de ausências e clama delirante amores que temerosos correm pelo descampado só lhe sobra calcanhares vacilantes de mulheres inocentes é de dar pena... mas serpentes não voam e não sabem o prazer de uivar em noites de lua cheia Rosa Do caderno: Mercúrio em Escorpião

o fim é sempre um recomeço

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não é sobre o clima árido do inverno não é sobre o clímax dado aos corpos cálidos estirados sobre o tatame em que lutamos e somos vencidos ou sobre os vãos nos tapumes de nossos versos talvez seja, a falta do timbre na voz de quando não sabemos compor o poema ou não entendemos a letra que pende o traço na margem há o anseio em agarra-la, antes que o abismo a trague no esquecimento creio, seja isso de querer significar o que por si, dispensa qualquer linguagem e diz, amor, pois que é amor o zelo... ao dizer de um nada, com certo afeto, apenas um fim, sem perdas nunca uma lâmina a dividir a vida incapaz de deflagrar uma bomba no peito, outro assim, o fim é sempre um recomeço (sem ponto final) um fim reticências... Rosa Fotos: "i_am_four-eyes" de Bangkok.