com propósito e fome


Vida!
tu aí, cheias de promessas...

sabe aquele rochedo?

não sei em qual latitude
tu a ergueu em mim, caverna

desmanchou magma
lama!

diante abalos incontáveis
derreteu entre brasas
ascendeu incandescentes lavas

nas linhas que se seguiram
após...

- não vou repetir essa tecla fatigada -

insensatos são meus tracejos
que riscam o céu
desafiam o Sol
e faz de deus
um amante que me lambe a carne

ao cair ao solo, elevo o nível do Mar
como a lua orbita minha pele

agora, inativa
- ilha -
propícia aos corais -
talvez

nas mesmas linhas
onde perdi meu estro

e minhas raízes
viraram cinzas

mas sempre aceitei a solidão
talvez a única companhia de senda

Vida, sempre que vasculho sobre Alma
me sinto esgotada e desabitada

mas ela ainda me habita
chama que sinto arder no peito

Vida!
preciso do ninho
de um abraço feito de ossos
tutano correntes sanguíneas
e um pouco de afeto e água
sem a língua de aço
dos que não sabem amar

mas temo o corpo outro
erguido e belo desejo

*

estou mansa... Terra
aplainada para que tu
me devores
com propósito
e fome...

coragem!

Rosa

 

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