ficar é sempre confortável
é inevitável
ter de ir além daqui
agora mesmo, não sei onde estou
em algum momento, irei
mesmo que não saiba o destino
Ipanema, Ponte, Pecado
e enquanto não vou
permaneço no escuro
e no escuro não vejo a borda
e mesmo centro de passagem
para o claro, se desfigura
como se tudo fosse
de um olhar esmaecido
um blur
e insisto em não tirar os olhos
ao que me alucina
certamente por isso não me movo
e narro o que vejo
na escrita que tateio - os dedos
cheios de gozo
por isso esse não lugar
onde só o pensar resiste
se te vejo tão atenta
como não verei o apagamento?
mesmo que seja eu, a negar o convite
por uma exaustão de raciocínio
necessito estar atenta
adaptável aos movimentos
ao calor dos corpos e seus cheiros
no final é tudo que resta aos cegos
mas se quiser, sair da mira
ouvirei teus ruídos
e murmúrios
estática, porém
mãos erguidas, pedindo atravessamentos
a quem não tem nada a oferecer
por ser vazio
rosa a.

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