Gonzaguinha no meu fone gritando seu alerta
para onde foram as incertezas
das cores num céu de brigadeiro?
tudo azul no planeta azul
previsão do tempo:
nunca mais chove neste não lugar
é seca, paisagem desértica
neste outono pálido
eu pálida
esquálida
à espera do esquecimento
em um mundo que se aquece
deveria me ocupar de outras coisas
para além de pensar no plano azul
do homem de aura blue
com palavras de ossos brancos - gastos
sua gota de Sol que me arde
prescindir a memória marcha ré
parar de roer as palavras
em busca do tutano delas
os restos
deste homem
de palavras brutas
que intenta que eu endureça
justo na caixa torácica
e que ouça este
... "Veja bem..."
de Gonzaguinha no meu fone
gritando seu alerta
entender a vida da gente dizendo
"que não" e...
carregar pedras
me cercar delas
e dentro de um círculo
dormir com o coração leve
deixar as palavras soltas feito pipas
fiadas
... mas, sofro de palavras dentro
penduradas no esôfago
e não sei soltar palavras
não sei ventar - ao tentar, engasgo
chover mais - me é impossível
onde estou nenhuma nuvem me vem
só a lua insiste - prata
com sua distância febril
e um ocre a contorna
se esquiva
rosa a.

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