olhos de Plutão I - II


 I

caminhava sobre Saturno
enquanto Gaia preparava a colheita dos morangos
Júpiter pesava-me o peito

tanto amor
não veio...
mas mandou me buscar e obediente fui, eu

estive na terra do fogo
onde ardem as mães dos ares
entrelaçadas em amparo pela raízes
emaranhadas sob o solo

ninguém além da flama
dançando seu corpo alma
diante o meu salina
me viu

feito ato, Júpiter se abriu
eis que
o clima atípico sob seus luares
aqueceu o inverno

eram meus olhos de Plutão

a mirar o horizonte faísca, uma pedinte
que ascendente ao corpo
livre chama, clamava... mais perto, Sol!
mais dentro, Sol!
mais quente, Sol!

é...
o verão será breve nesta volta ao Astro Rei

pois sei, Júpiter vai carpir por todo eixo
a terra das águas de Aruanda
e arrefecerá o clima junto a Saturno
de meu corpo de suor, sal, mel
Rio

com tempestades
de raios e trovões

entramos o ano de Sagitário
prevejo
um outono de pétalas
fora de estação
Zéfiro irá ventar feito setembro
na estiagem
em pleno março
arrastando o verão
serei inverno, ermitã
serei solo carnaval

pois desde que estive na terra do fogo
ardo Sol
preciso resfriar meus poros
sentir certo frio e
me aquecer num peito
tão concha
tão pérola, tão

...Vênus que sou

Rosa


II

Ao adentrar o abismo, resolvi me sentar.
Gostei da paisagem...
Não era sufocante, aliás era bem respirável.
O mundo todo ardia e estive distante.
Olhando...
Foram longos dias de absurdo.
Parecia medicina. Meio tortura, meio anestesia, expurgo.
Como se tivesse sido picada por um escorpião e o mesmo me tratasse.
Numa zona segura, mas não confortável.
Até que a dor aliviasse.
Não sinto alívio. Não sinto nada.
Nasci de novo, sou um jarro vazio posto no centro, para ser preenchido de novos nadas e nadas e nadas...

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