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Além do Corpo - adequação

escrevo uma notas... listas de mercado, lembretes. anoto tudo! e este tudo me contém... como coisas que consumo, minhas marcas, meus asseios, meus anseios. o necessário tem se tornado mais frequente nos últimos tempos. palavras soltas, jogadas, esquecidas de como sinto (aqui cabe um parêntese), de como percebo, de como me percebo! às vezes as notas viram contos, às vezes poemas, às vezes não viram nada e acabam na lixeira. além de tudo há meus trajetos, toda rota que percorro eu anoto, e se não... fica gravado no Google Maps e ainda sou questionada sobre o que achei do lugar. geralmente respondo com um elogio cínico e ainda coloco foto. e como não falar das avaliações? eu fico lembrando daquela conversa gostosa com o motorista do Uber que nunca mais vou ver... pois alguns dias depois de nossa corrida ele levou a namorada de 16 anos, gravida a Praia do Sossego e a matou a pauladas para não magoar a esposa que estava em casa. não posso esquecer da agenda que nunca atualizo, mas que me le...

mes mains / tais-toi

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minhas mãos, andantes em teu corpo espalmam teus ardores tuas dores e delícias causadoras de espasmos e delírios ...vagueiam às tuas coxas explorando cada poro até encontrar o quente hirto, falo! e se estendem até o prepúcio minhas mãos, o eleva  ao encontro de meus lábios e te prova até o talo a dizer da boca cheia o sabor de teu caralho. quando penetra meu corpo, faz morada e me goza a cara. rosangela a.  

fé inabalável?

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depois de todas as trocas das manhãs de café junto ao noticiário dos cabelos emaranhados os rostos colados as mãos dadas o amor partiu e deu lugar ao orgulho foi ele e não adianta negar o orgulho venceu o amor outrora dispensado entre tantos encontros não foi o tédio ou outra presença ou o excesso de momentos compartilhados nem ao menos detalhes escusos intoleráveis também não foi a causa  o sexo  pois este ainda arde como brasa poderíamos dizer que foi a irritação que o amor nos causa mas não... o orgulho é venenoso e apagou a fé  levando consigo a golpes de navalha o mais sublime dos sentimentos o 'amor  e pondero o orgulho nos fez miseráveis rosangela a.

transbordo

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dentro, tudo que não se repete  se expele... renovação celular, ovular, uma réstia de memória da infância entre gibis e lápis de cor maquetes estruturadas com cacos de piso tijolos quebrados, areia lavada nenhuma de bonecas ou coisas de menina. a estria da ruga que uma rusga  causou na pele, se aprofunda e tanto faz o cinza  dos dias, ou dos cabelos se multiplicando, ou ainda a clavícula pontuda  que mostra a esquelética forma humana. no corpo se multiplicam as dores afetos e desafetos... convivências, abandonos, domínios, territórios. o piso frio, as meias encardidas. o espaço onde nutro onde rabisco e onde fumo, o trajeto até a cama onde sou possuída por anjos e demônios. pesadelos e delírios às vezes renovo às vezes uma corda no pescoço mas dentro ainda habita aquela menina que vez ou outra bate o pé e faz birra. rosangela a.
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  é madrugada e o céu transborda o mesmo céu de chumbo o céu que outrora observara em luto da varanda evito cerrar os olhos que pesam pensar no amontoado de cães que partiram sem dizer adeus é enlutar o peito acho que vejo tudo como um enlatado de corpos prensados sem a piedade macerada de um cigarro que trago copiosamente tudo jaz e o que não jaz ainda tem seu tempo e quando se enluta se questiona os limites o que há de mim naquele que se foi o que há de mim naquele que irá o que há em mim de todos os ausentes talvez apenas o tempo e ele não existe o passado que se foi - acabou o presente que não há no segundo seguinte o futuro que não se sabe  - nada é previsível - se fosse divisível  (e não descarto nada) talvez alma ou partes dessa anima que nos mantém dispostos a caminhar mas aqui neste espaço, só vejo cinzas as cinzas do cigarro a noite cinzenta de chuva a tristeza cinza cinza tristeza triste rosangela a.
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Plantar esferas em tua boca  nua salivar. Colher afeto em teu semblante  tímido.  Catar teu olhar sobre mim... Longa espera. E agora, quando chega a estiagem E por aqui sequer garoa, eu perco o timbre, a voz, o ar! Hoje língua que não me procura, Palavra sem tom. Sonoridade nenhuma. Palavras que engulo a seco,  novidades perdidas, junto as vestes esquecidas em tua cama. Derramo em teu corpo ainda... Toda palavra que nos cabe! Mas aos poucos eu silencio. E é triste silenciar  Quando tenho tanto a dizer. rosangela a.  

Dissipando

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escovo os dentes  até que gengiva sangre. esfolio a pele,  cada célula morta pelos ralos  - vida inteirinha. alinho os cabelos,  pinto, descoloro. engulo poemas, leio, releio, decoro, mas cada um deles  sinto como nó no estômago que não desfaço, não digiro nem quando caminho  descalça na areia e os vomito  para que ondas os apaguem. rosangela a.

inabilidades

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tenho sinais de expressões  na pele que enfraquece, na fala que me sabota  [ato falho nos olhos que me cegam quando finjo que não vejo o nítido, o claro. tenho sinais de expressões até nos passos quando endurecem meus joelhos e insisto em pular  uma poça, muitas vezes um poço. tenho sinais de expressões até na cervical  e não falo de lombar, nem de ciática. eu falo é da brevidade... eu falo é da vida. rosangela a.

tantos anos

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algo da infância contida, menina triste que fora guardada dentro da pele,  ao lado esquerdo do peito. nada da mocidade rebelde de um dia. hoje asas da liberdade adquirida?  - não. apenas o livre arbítrio. hoje também serena, enquanto espanto! de  milhares de tons de aquarelas espalhados dos tendões dos pés, até as pontas - dos fios. ao esbranquiçado de meus calcanhares - lixa. às unhas quebradiças  - vitaminas.  à coluna enrijecida  -  yoga. para a mente povoada  - medito. e é agora que a vida acontece? - sim... quando tudo começa a ranger no templo que me abriga. sem medos, sem dobras me volto às pazes com a divindade que me habita. tudo é grito... é rito... delito, tudo é finito ...enquanto eternizo como armadura  versos inquietantes e alguma lira. rosangela a.

No vendaval da tua vida

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Faço parte deste vento frio que açoita minha face e a faz arder.  Eu volto seja doloroso ou não - o vento frio na face, as marcas deste açoite - Eu volto pela persistência e a coragem de saber que prosseguir é uma opção. Não importa o quão longe estarei amanhã, pois intento ficar.  Me importa, fazer parte deste vento recurvo, aflito ao seu lado.  E você se pergunta, o por quê?  Por que o amor legítimo se faz também nos pesares, quando nos damos as mãos coadjuvantes. Quando intentamos não só o prazer e sim o todo. E o todo de alguém nunca é deveras afável, favorável. O todo é tudo mesmo, é o bem e o mal da gente. Não há ponto de fuga, nem cabe resistência. O que está determinado, determinado está. Mesmo que o tempo traga outras vidas para compreendemos que um olhar atento, facilita o entorno e o dentro. O vento passa! Enquanto não, a gente domina... Juntos.  rosangela ataíde