Postagens

Mostrando postagens de março, 2025

cega alma

Imagem
  cega alma que se atreve a tatear os espaços entre um oco e outro dignifico como oco o vazio das palavras que cega escrevo para o nada jogo de letras como o amassado papel na lixeira entre um cigarro e outro não comove os conservadores da nova era de bajuladores de méritos e meretrizes rede de catar detritos poluição midiática ativa talvez salve algo deste lixo caso mude as lentes e enxergue algo coerente e verdadeiro ...mas agora, não vejo nada rosa a.

descanso das íris

Imagem
  dentro dos olhos cansados, poluídos pelo uso e seus excessos, há um lago que borbulha efervescências... vazantes de encontro ao mangue que de tanta vida, transparece entre os juncos em bioluminescências noturnas ...quando noite de lamparinas, tudo carece de estrelas e da lua entre nuvens, tímida e os pássaros não repousam explode em luzes a natureza, junção de fogo que não queima, terra, lama e céu um caldeirão de vapor onde a vida grita e logo ao amanhecer corre a desembocar no mar sua essência as águas frias os fazem deslocar numa corrente entre polos fazendo de rotas as linhas continentais deste oceano, em nós então que tais olhos conclui... somos todos ilhas e necessitamos contato imediato de resto, nada sabemos do externo pois onde a carne toca, "tudo é Mar!" rosa a.

minha maçã distante

Imagem
  o passado está gasto dele sei olhe ele lá se exibindo! vê? algumas falhas na memória rastros e gritos choros e risos o presente está vasto, ora cheio, ora uma cola porosa que não firma nada estou aprendendo com ele e invento saudades, amores e pássaros que voam para o nada o futuro está vago, pode haver você riscando com as unhas sobre a mesa do jantar teorias sobre a inexistência do tempo no qual somos nós os viajantes pode não haver eu pois nem sei se estou sendo, agora pode haver apenas o nada, a réstia do que fomos quando não éramos sonhos um jantar sobre uma cama de hotel eu a deleite de camiseta e meias a dedilhar as pétalas nuas de meu rosário íntimo a pensar em você minha maçã distante ao alcance de um toque rosa a.

Vênus Cazimi

Imagem
  o mar retraído distante mirante o vejo e me diz de alguma força vulcânica nas profundezas de seus mares seu fervor trará um tsunami ou apenas a maré alta em alguma lua cheia como o retorno de Perséfone do submundo entre inocentes grãos de sementes, são romãs a lembrar os braços de Hades seu exílio nos estio das estações seu inferno particular mas o que antecede é um marasmo a terra preta seca onde vasculhadas são as sombras ainda que expostos à luz do Sol e remexido os abismos ....nós que estamos sendo nós que estamos atentos a saber dos liames esgarçados e rompidos então que âncoras soltas... buscamos outros elos em outros portos navegar com o timão em punho donos de nós mesmos a contar com o vento a direcionar nossos cabelos já bagunçados pelo ato de tanto A-Mar nós, os incansáveis amantes de Gaia buscamos o céu em, nós Rosa Ataíde Imagem: Zannyfish - Lomography

havia um quadrado dentro de outro quadrado

Imagem
havia um quadrado dentro de outro quadrado nele no menor você se escondia refúgio das horas vadias fora, outros tantos te aguardavam era necessário forçar as paredes o escape esperado mas tu estava fraco devido ficar muito tempo estático pernas encolhidas mãos postas em fé a dar espaço ao corpo maior que em ti se abrigava sem que cria fosse ou alma tua como caber é uma questão onde caber... é entender o real imposto a paga, a lida, o traquejo o riso Colgate na hora dos talheres afiados degustarem-lhe a carne em desova é como morador de rua marquise, pós marquise para garantir a liberdade de ir e vir a fome, a sede, o frio paga-se preço alto para sair de uma caixa quando tudo que se tem em mãos são espaços hoje fora do quadrado és moldura de um quadro sem tela sem corpo estranho sem nostalgia algo te falta por isso teu estomago rói, rói, rói de não suportar ver o alimento ou o vapor do gelo de um copo de conter líquidos hoje sabes a fome que tens é inflamável ...é de presença tua fome t...

Choremos cada vez menos...

Imagem
Banksy e sua arte... Choremos cada vez menos... O mundo tende a se normalizar. Mesmo que o mundo acabe. O mundo que concebemos como mundo. A vida tende a voltar a ser a vida que tem de ser. A geração Z, com toda sua forma estranha de visão de mundo já está fazendo esse retorno, de forma diferente é claro. A situationship por exemplo, pode soar estranho, mas é a forma mais racional ao meu ver, de se relacionar. E devo admitir que tive uma situationship no meu último relacionamento, e foi legal. O problema é se uma das partes cair no amor, se for as duas, maravilha, mas se for uma só a se apegar. Pode doer, mas acredito em adaptações. Tbm tem suas bizarrices como os incels, toda geração tem as suas, mas são superáveis em terapia, após os 35. Eles também, não são dados às exposições de redes sociais, a não ser em caso de ganhar dinheiro com a mesma o resto é "cringe" palavra que também já é cringe... e é exatamente por isso que os vejo como esperança para a humanidade. Nós somo...

Selváticas 2

Imagem
"mulheres são por essência, selvagens" por isso pitam suas bocas, ou coram as faces no rouge do viço no blue a esfriar a quentura dos olhos. em meio a selva mulheres usam de camuflagem, urucum e carvão com jenipapo aves raras, despidas... moer, tecer, escamar atentos olhos de rio margeiam ribeiras distantes... Ave mulher nas matas! mulheres são puro instinto. e sabem quando é o momento oportuno de quebrarem os saltos e se esconderem entre arbustos na relva por sobrevivência, o escape do predador à espreita, nas ruas, vielas e becos, avenidas e passarelas. Ave mulher nas cidades! mulheres são por nascença, mundanas por isso caminham suave sobre a Terra, por sina de mulher exalam sensualidade, semeiam homens entre os cumes de seus seios e desaguam suas vidas na foz de seus mares. Ave mulher no mundo... Ave mulher sagrada! Rosa Ataíde  

Suspensa

Imagem
  o corpo, este imaculado objeto de Deus, prevê a queda revê cada tropeço inesperado, se atordoa com os desenganos o corpo, grita ao ar seus devaneios, seus poros exalam medos, incertezas o corpo, que me sustenta agora aflito, suspenso ao ar, carne fresca, pedaço de mim numa exposição carnal pronto pro abate... mira uma forca no teto o corpo é coragem couro duro de roer, de existir ou desistir - quem se importa agora? o corpo que me veste, grudado a minha alma... este corpo onde não caibo, este olho que me despe no espelho, esta boca que me denuncia... rimas, poemas, atos falho e estas mãos calidas, tremem ante os desafios, insistem os rabiscos e amarrou a corda suspensa para hoje, este corpo é o que tenho e me possui por inteira. rosangela a. arte: Alyssa Monks

Processos - ou uma certa palidez

Imagem
  f az-se necessário o despir de todos os meus atos descarnar a liga que me ata tão pele e carne e líquidos é necessário o vermelho sangue e embora anêmica esvaída de cor de vida sair do palco da luz desse Spotlight correr ao mar pular ondas estender ao céu uma fé cega que não tenho talvez assim e só assim sendo fingida noutra pele que me aperte e me degole eu tenha alguma coisa de credibilidade quem sabe a mesma crença das mães que preparam os filhos para reis e rainhas mas sou filha de pai solo trago uma espada afiada em uma mão uma balança na outra e sou cega não sei como me rasgar e me coser na pele, outra só sei me despir ao fazer uso das palavras que trago nas vísceras assim pondero assim condeno e às vezes, erro por isso... faz-se necessário o despir de todos os meus atos rosa a.

a palavra áspera

Imagem
no eriçado da crua pele nos pelos atrevidos da rudeza frio e quente do clima que oscila o choque epitélial transporte sistema nervoso central há um contraste na carne fronteiriça no enlace, chama vapor que sopra os apelos palatáveis a tua/minha língua que entre poros se afetam e aquecem nasce o primeiro poema o que antecede os poetas e os transcende das águas a gota entre oceanos tão duros teus contornos que necessita a lentidão das ondas a romper teus rochedos íngremes enquanto estende os fortes nas entradas das baías teus pontos frágeis — a palavra território? a quase obsolescente palavra amor rosa a.  

dançar sob as águas

Imagem
  "Branqueia a vela solitária Na névoa azul do mar!..." Vela - Michail Lermontov *** dançar sob as águas ou sob a tempestade onde se alcança a calma de Lermontov dança à chama solar uma vela no transpasse da cortina que uma brisa distorce a sombra baila baila baila flama insolente as palavras veio D'água são dois pra lá, um pra cá e uma distância, entre ...o poeta a poiésis o poema rosa a.

Te devo desculpas...

Imagem
estou em algum ponto que não sei, a catar com as mãos o vento roçando os dedos uma busca vaga de tocar o etéreo em ti talvez na próxima estação ou preso na aduana da atracação estou marina com seus nós de marinheiro todos desfeitos quando deslizo os dedos em seus fios e o liberto, e pode ser aquele que és em algum ponto que não sei se estou estendo as mãos que afagam nas marolas o tátil encontro com as águas no tempo onde as árvores desfolham secas ao chão, mas sempre belas como a vida é, incansável beleza e caos e se te vejo e se não te alcanço palavras, e perco a fala, perdida que estou que me digam teus distantes olhos que me queimam... do céu rajado de todas as cores outonais que tola quero decifrar, e não sei dizer que cor é a mais ínfima, que talvez seja onde estou enquanto minha humanidade grita - te quero mar! e queres o silêncio e não apenas ...tens uma eternidade e infinita é a beleza apesar da degradação comum aos homens obstinados te quero mais, te quero mar, e dizes - não ...

Respiro...

Imagem
Por cilindros vazios e mesmo aqui nas profundezas onde a pressão atm me comprime o peito fazendo com que a grande cicatriz entre os seios sangre  enquanto tento gritar, mas não posso tirar a máscara que me mantém respirando e, se o som não se propaga no Espaço, muito menos se propagará neste oceano, além do mais, o afogamento inevitável me aniquilaria sem que eu ao menos tentasse emergir E sobre emergir  Turbilhões de pensamentos me desafiam a isso Tento seguir a  fluidez do curso das águas sem nadadeiras, pois só tenho contra a pressão, braços e pernas em um 1,60cm Nunca estive preparada para a vida Mas já me iludi com relação a isso de ter esperanças e fé de que daria conta dos predadores se acaso me deixasse ser seduzida pelo deus e a ele me desse por inteira de joelhos ao chão  Olha que curioso... Foi deus que me trouxe até aqui e me abandonou De qualquer forma, deus não acredita em mim E ele que me idealizou Não serei cretina nessas linhas... sim, eu que pedi a ...

Efeito Kopp–Etchells

Imagem
Efeito Kopp–Etchells — Por que você vem? — Por que você regressa? — Impulsividade, amor. — Por que você foi então? — Havia uma catástrofe à vista... Dois abismos entre nós, você um não regresso, eu um desastre natural, e sempre que caio, dói. — És de guerra, então, quer brigar, me bater, gritar? — No geral sou da Paz, quero amor, não quero machucar, jamais. Você nunca responde? — O abismo me atrai, por isso essa imensidão. Vê? — Quer me ver em queda? — Sabe essas águas todas? Sabe as areias do deserto? — Estou cercada por elas, vivo nele. O Homem com o dedo faz um círculo luminoso na areia do deserto com um ponto vivo no meio, enfim... — Em ambas residem escorpiões, escorpiões que são como putas, vingam-se quando alguém goza, atacam, se aprazem na fraqueza do regojizo... Isso é o que sou! — Se és como puta, qual teu nome de guerra? — deus. — deus não fala... — Um deus menor de certo, adorado, mas sou como qualquer grão de areia ou gota. Poeira, filete. — Perdoa a obsessão, como tempest...